Rio, 31 (AE) - O relatório final do inquérito sobre o grampo no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que levou um ano e dois meses para ser concluído, não aponta os mandantes da escuta telefônica. São apontados como executores do grampo o funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Temílson de Resende, o Telmo, e o detetive particular Adilson Alcântara de Matos - já indiciados no inquérito.
O Ministério Público Federal (MPF), que recebeu o relatório na última sexta-feira, deverá desmembrar o inquérito e pedir à Polícia Federal novas investigações sobre o caso. O MPF tem um prazo de 15 dias para decidir se oferecerá ou não denúncia contra os indiciados. Estão também indiciados no inquérito - por falso testemunho - o ex-chefe do escritório Abin no Rio João Guilherme Almeida e o coordenador de operações da Abin, Gercy Firmino da Silva. O relatório tem cinco volumes e vinte apensos e será estudado pelo grupo de cinco procuradores responsáveis pelo caso nos próximos dias.
O ex-policial federal Célio Arêas da Rocha, que, segundo as investigações, também teria participado do grampo, não foi indiciado no inquérito. Rocha depôs em juízo denunciando Telmo como um dos autores da escuta. O ex-policial encontra-se em local incerto, segundo informou hoje seu advogado, Nélio Andrade. "Ele deveria ter sido incluído em um programa de proteção à testemunha e não foi", afirmou Andrade. "Por isso abriu mão da escolta policial e caiu no mundo."

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