Inquérito sobre briga de trânsito aguarda IML
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segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Davi Baldussi <br> Reportagem Local 
Londrina - Dois meses após uma policial civil à paisana atirar, por conta de uma discussão de trânsito, nas costas do porteiro Juarez Alves, de 40 anos, que conduzia sua moto pelo Centro de Londrina, o inquérito que apura o caso ainda não foi concluído. De acordo com o delegado-operacional Willian Douglas Soares, ''resta ainda o resultado do exame de lesão corporal do IML (Instituto Médico Legal) para a conclusão do inquérito.''
Alves, que também fazia ''bicos'' como eletricista, ainda não voltou a trabalhar. ''Os médicos não me liberaram. Tirei na última terça-feira o dreno e na quinta fiz uma ultrassom para ver como estava meu rim e está tudo bem'', comentou.
Ele lembra bem do início de tarde de 19 de julho, dia em que foi atingido por um disparo de pistola .40. ''Eu estava passando pela Avenida Rio de Janeiro, próximo à antiga rodoviária, quando tomei uma fechada dela (policial). Quase fui jogado na calçada. Depois eu alcancei ela num sinaleiro, parei do lado e disse: 'você tá doida!?' e fui um pouco mais para frente esperar o sinal abrir. Acelerei e em seguida senti o tiro. Depois ela veio correndo pra cima de mim, gritando cadê a arma? cadê a arma? Eu virei pra ela e falei: 'que arma? Sou trabalhador'. Como eu perdi muito sangue acabei ficando inconsciente'', relatou.
Ao chegar na Santa Casa, Juarez passou por uma cirurgia que durou cerca de quatro horas. ''Perdi o baço, parte do rim e o meu fígado precisou ser reconstituído'', conta. O porteiro ficou sete dias na UTI e outros três no quarto do hospital. ''Teve dias em que fiquei em coma, então nem lembro de nada.''
Até hoje Alves ainda tem ''flashes'' do caso. ''Todos os médicos me recomendaram a procurar um psicólogo e acho que essa semana vou atrás. Ainda tenho dificuldade de dormir à noite, quando ouço aqueles estalos de motos o corpo já arrepia'', disse.
O porteiro vive com a esposa e uma filha de 1 ano no Jardim Igapó (Zona Sul), e conta que tem sustentado a casa, desde o incidente, graças à ajuda da família e amigos. ''Meu exame para conseguir o auxílio da Previdência está marcado para o dia 21 (amanhã)'', disse.
Na última sexta-feira, Alves foi submetido a exame de lesão corporal no IML. Segundo o médico do local, Igor Eduardo Gonçalves, o resultado da perícia deve ficar pronto ''em aproximadamente 20 dias''.
A reportagem entrou em contato com a assessoria da Polícia Civil em Curitiba, ontem, para saber se a investigadora envolvida na discussão de trânsito com Alves estaria de volta à ativa, mas não houve retorno.


