Recife, 18 (AE) - Inquérito administrativo instaurado para apurar o caso do plasma contaminado recebido pela Fundação Hemocentro de Pernambuco (Hemope) estabeleceu punição de 20 dias de suspensão para a ex-presidente da empresa, Cristina Carrazzone, e a ex-diretora de Processamento Industrial de Plasma, Cândida Cairutas. Elas foram punidas por não ter comunicado às vigilâncias sanitárias federal e estadual o recebimento, em 1997 e 1998, de 12 lotes de plasma contaminados com hepatite, sífilis, doença de Chagas e HIV (um deles).
O Hemope recebe plasma de 23 Estados para a produção de albumina humana, indicada no tratamento de queimados. Os lotes contaminados foram destruídos pela empresa, mas a diretoria não avisou o Ministério da Saúde, como determina norma da saúde. O caso veio à tona em maio, a partir de denúncia do Conselho Federal de Medicina, que tomou conhecimento do plasma contaminado por meio da então diretora Cândida. A denúncia provocou a interdição do Setor de Processamento Industrial de Plasma.
Carrazzone e Cairutas estão de licença-prêmio e poderão interpôr recurso contra a decisão da comissão de inquérito. A ex-diretora de Captação, Processamento e Dispensação do Hemope, Cláudia Vaz, também recebeu punição, de 13 dias de suspensão, por não ter concluído o rastreamento do plasma contaminado. Vaz também goza licença-prêmio.
Os lotes de plasma contaminado - e não-usados - foram fornecidos ao Hemope por hemocentros da Bahia, Santa Catarina, Rio, Paraná, Pernambuco, Alagoas e Ceará.

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