Inquérito pode ser divulgado
Agência estado
O Superior Tribunal Militar (STM) define amanhã se vai liberar para o procurador-geral da Justiça Militar, Kleber de Carvalho Coêlho, os autos originais do Inquérito Policial-Militar (IPM) que investigou a explosão de bomba no Riocentro, em 1981, durante show em comemoração ao Dia do Trabalho. O procurador-geral precisa do laudo cadavérico do sargento Guilherme Pereira do Rosário, passageiro do Puma em que se encontrava a bomba, entre outros documentos, para fundamentar a solicitação que fará ao comandante do Exército, Gleuber Vieira, para reabertura do caso.
Depois de ler várias vezes o IPM, que conseguiu temporariamente emprestado, e de tomar depoimentos de 11 militares, Coêlho concluiu que não é correta a versão oficial de que algum grupo radical de esquerda ou da direita teria colocado a bomba no carro ocupado por dois militares. A informação foi dada pelo encarregado do inquérito, Job de Lorena SantAnna. O procurador acredita que o capitão Wilson Luiz Chaves Machado, piloto do Puma e sobrevivente, e o sargento Rosário eram os verdadeiros portadores da bomba.
O procurador também sabe quem, antes das explosões do Riocentro, avisou o general Newton Cruz que um grupo de militares pretendia marcar presença com a detonação de uma bomba durante o show. A informação foi divulgada ontem pelo próprio Cruz, que afirmou ter dito os nomes a Coêlho, durante conversa em sua casa, em 22 de abril, ante uma testemunha. O militar reafirmou que pretende depor no novo inquérito sobre o caso, mas não revelará quem foi o informante.
Segundo Cruz, o procurador recebeu a informação quando esteve em sua casa para ouvir o depoimento dele, acompanhado do diretor-geral da Procuradoria, delegado Nelson Marabuto Domingues, que testemunhou a conversa. O general da reserva, contudo, disse não ter aceitado que fosse tomada a termo (transcrita oficialmente) a parte das declarações na qual apontou dois oficiais que teriam avisado o Serviço Nacional de Informação (SNI) o que estava para acontecer.
O procurador está autorizado a dizer os nomes que lhe passei, afirmou Cruz. Ele disse que, na noite do atentado, quando soube da ação no Riocentro, os militares tinham saído para botar a bombinha na casa-de-força, mas ressaltou que não se referia aos dois homens que estavam no Puma que explodiu. Estão confundindo; uma coisa era a bomba da casa-de-força, outra a do capitão (Wilson Machado) e do sargento (Guilherme do Rosário), que agiram sozinhos.
O general insiste, dessa forma, na tese de que um grupo de militares queria apenas chamar a atenção com uma explosão pequena, e que os dois militares que estavam no carro que explodiu teriam agido por conta própria e sido vítimas de uma explosão acidental. O capitão e o sargento, segundo essa versão, queriam apenas fazer uma detonação mais forte, mas também sem ferir ninguém. Eles não queriam atingir a casa-de-força.





