Inquérito no Pará nega suborno no júri de Eldorado dos Carajás
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de novembro de 1999
Por Carlos Mendes 
Belém, 14 (AE) - O delegado Vicente Costa, da Polícia Civil do Pará, concluiu não ter havido tentativa de suborno do júri na primeira sessão de julgamento dos oficiais da Polícia Militar acusados pela morte de 19 trabalhadores sem terra em Eldorado dos Carajás, em abril de 96. Depois de ouvir 31 jurados, entre titulares e suplentes, examinar oito meses de conversas telefônicas e contas bancárias, Costa enviou na sexta-feira (12) ao Ministério Público a conclusão do inquérito que apurou suposta tentativa de suborno do jurado Silvio Queiroz Mendonça contra o suplente de jurado Fernando Brito.
Segundo denúncia da vice-prefeita de Belém, Ana Júlia Carepa (PT), à revista Época, no final de agosto, Mendonça teria oferecido R$ 3 mil a Brito, perguntando se por esse valor dava para "morrer" a favor da absolvição do coronel Mário Pantoja. Brito disse na polícia que a conversa foi em "tom de brincadeira". Mendonça disse que a conversa "nunca existiu".
Costa acrescentou que não há como indiciar ninguém, porque "não há provas do suborno". O delegado passou três meses investigando o caso. O relatório final tem dois volumes, mas "nenhum indício" da denúncia feita por Carepa. O jurado Mendonça, com a conclusão do inquérito, pretende processar Carepa e Brito por danos morais.


