Inquérito investigará acidente com a P-34
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quarta-feira, 23 de outubro de 2002
<br> Agência Estado 
Rio - O Ministério Público (MP) do Trabalho abriu inquérito para investigar o acidente na plataforma de produção de petróleo P-34, da Petrobras, que passou três dias sob risco de naufrágio na Bacia de Campos, litoral norte do Rio.
Será o 9º inquérito contra a empresa no escritório carioca do MP, que tem na Petrobras sua maior denunciada. ''A empresa tem um histórico de não cumprir a legislação do trabalho'', acusa o procurador Rodrigo Carelli.
No caso da P-34, os procuradores desconfiam do sistema de fuga da plataforma, que não funcionou e forçou cerca de 30 funcionários a se jogarem no mar por falta de lugar na baleeira preparada a fuga.
O MP do trabalho já entrou com uma ação judicial contra a empresa questionando o sistema de fuga de outra plataforma, a P-38, que opera no campo de Marlim Sul, também em Campos. ''As rotas de fuga da P-38 são inadequadas e a iluminação é precária. Um acidente pode provocar vítimas fatais, porque os funcionários enfrentarão dificuldades para evacuar a embarcação'', avalia o procurador.
A P-38 é um navio-plataforma, como a P-34, mas não produz petróleo, apenas armazena a produção de outra plataforma, a P-40. O MP chegou a obter uma liminar impedindo a transferência da plataforma para Marlim Sul, no ano passado, até que a empresa resolvesse os problemas de segurança. A Petrobras, porém, recorreu e cassou a liminar. A P-38 está atualmente em operação.
Os recursos da estatal contra as decisões do MP do Trabalho são motivo de reclamação entre os procuradores entrevistados pela reportagem. ''A empresa nunca veio aqui negociar. Não assinou sequer um termo de ajustamento de conduta. Ela prefere discutir estas questões na Justiça'', reclama o procurador Marcelo José.
Procurada pela reportagem, a Petrobras não retornou à solicitação de entrevista para comentar as acusações.


