São Paulo, 27 (AE) - A polícia instaurou inquérito hoje para apurar as ameaças de morte feitas, por meio de duas cartas, à ex-primeira-dama Nicéa Pitta, no início da noite de sábado. Após receber os bilhetes que estavam escritos em computador, Nicéa pediu a um segurança que registrasse queixa no 78.º Distrito Policial, nos Jardins, na zona sul. Ela não quis ir à delegacia pensando tratar-se de uma cilada.
No boletim de ocorrência de n.º 1918/2000, registrado no 78.º DP, consta que o suspeito do envio das cartas é o empresário Jorge Yunes, presidente de honra do PPB e pivô dos empréstimos que causaram o afastamento do prefeito Celso Pitta (PTN). "O linguajar da carta é dele", disse Nicéa em entrevista ao Grupo Estado na madrugada de domingo.
Para a polícia é precipitado acusar qualquer pessoa como sendo o autor das denúncias. "Já instauramos inquérito e agora vamos investigar", afirmou a delegada-titular do 78.º DP, Nair Silva de Castro Andrade. "Por enquanto, é muito cedo acusar alguém, isso seria leviano por parte da polícia."
A delegada afirmou que o próximo passo será ouvir a primeira-dama, além das pessoas que estavam com ela no momento em que ela recebeu as cartas. "Também podemos ouvir o Jorge Yunes", disse ela. "Queremos também receber as cartas e os envelopes originais para encaminharmos a perícia, pois, por enquanto, não temos esse material.
A reportagem procurou no fim de semana e durante todo o dia de hoje o empresário Jorge Yunes em sua residência e no escritório de seu advogado, mas não obteve retorno.
Na mesma delegacia foi registrada há cerca de um mês uma suposta ameaça que o filho do prefeito Celso Pitta, Vitor, de 25 anos, teria recebido de um policial Militar, que faz parte da equipe de segurança de seu pai. De acordo com a delegada, ainda não há provas de que essa ameaça realmente aconteceu. "Já ouvimos algumas pessoas, mas, por enquanto, não conseguimos provas de que isso realmente aconteceu", explicou a delegada.

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