O delegado titular do 1º Distrito Policial de Campo Grande instaurou, ontem, inquérito policial para apurar se o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Mato Grosso do Sul (Fetagri-MS), Geraldo Teixeira de Almeida, estaria fazendo apologia ao crime, incitando os sem-terra a invadir propriedades rurais no Estado. Denúncia nesse sentido foi apresentada através de uma ação judicial movida pelo Sindicato Nacional dos Produtores Rurais, impetrada anteontem à tarde no fórum local.
A denúncia foi formulada pelo advogado do sindicato, Rubens de Aguiar Filgueiras, baseada em declarações feitas pelo sindicalista ao jornal ‘‘O Estado de S. Paulo’’ na edição de segunda-feira e divulgadas pela Agência Estado. Geraldo de Almeida disse que está pronto para se defender. Segundo ele, as invasões acontecem por iniciativa dos líderes dos sem-terra acampados no Estado, que são forçados pelas famílias a acelerar o processo de implantação de assentamentos.
Para o presidente da Fetagri, se existe algo fomentando a apologia ao crime entre os sem-terra ‘‘é a miséria e a fome que já toma conta de pelo menos de dez mil famílias de trabalhadores rurais desempregados dentro do MS’’.
A Fetagri do Pará vai propor hoje, em Marabá, no sul do Estado, a ocupação de 57 fazendas da região que ela considera improdutivas. O objetivo é assentar cerca de oito mil famílias de lavradores sem-terra. A proposta será feita durante a abertura do primeiro seminário da Fetagri, que representa 18 sindicatos e associações de trabalhadores rurais.

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