Bauru, SP, 03 (AE) - O modelo de privatização adotado pelo governo do Estado para a privatização da Companhia Energética de São Paulo (CESP) está sendo investigado em inquérito civil público aberto pelo procurador Rodrigo Valdez de Oliveira, na regional de Bauru do Ministério Público Federal. O objetivo é evitar que a parte rentável da empresa seja repassada para a iniciativa privada e a não rentável permaneça pública, causando prejuízos ao consumidor de eletricidade e outros serviços atualmente prestados pela estatal.
Oliveira tem informações de que, pelo modelo proposto para a privatização da empresa, o setor de transmissão energética, que permanecerá público, ficará fragilizado e sem condições de fazer os investimentos necessários à expansão da infra-estrutura
o que poderá trazer consequências tanto para o consumidor como para o sistema nacional de energia. Essa tese é reforçada por uma fita de vídeo em poder do procurador, na qual o presidente da CESP, Guilherme Augusto Cirne de Toledo, aconselha os trabalhadores da empresa a não optarem por trabalhar na empresa de transmissão, pois ela não terá recursos nem para o pagamento dos salários.
Ao mesmo tempo em que requisita o edital de privatização e o cronograma de sua execução, o procurador ainda pede aos pesquisadores Luís Pinguelli Rosa e Maurício Tolmasquim, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, um estudo sobre a CESP. Esses profissionais escreveram um livro sobre as privatizações na Europa, Argentina, Israel e Chile e afirmam não terem encontrado naqueles lugares um sistema de privatização como o que está ocorrendo no Brasil.

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