Inquérito da PF sobre favorecimento do BC será unificado no Rio
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quinta-feira, 22 de abril de 1999
Por Beatriz Coelho Silva e Eliane Azevedo 
Rio, 23 (AE) - O inquérito da Polícia Federal (PF) que apura o favorecimento do Banco Central (BC) aos Bancos Marka e FonteCindam será unificado no Rio, de acordo com decisão tomada pelos delegados federais e procuradores do Estado e de Brasília responsáveis pelo caso, que se reuniram hoje na capital fluminense. A informação foi dada pelo procurador Arthur Gueiros.
Ele adiantou que o inquérito aberto em Brasília será transferido para o Rio, uma vez que a sede dos dois bancos fica no Estado.
Gueiros revelou ainda que será instaurado inquérito paralelo para apurar quem é o responsável pela carabina de 12 milímetros encontrada encontrada na casa do ex-banqueiro Salvatore Cocciola, do Banco Marka.
Segundo ele, a tarefa é fácil, uma vez que há registro da arma, fabricada nos Estados Unidos. Os procuradores aguardam ainda a decisão da juiza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal, sobre a abertura dos envelopes lacrados apreendidos na casa do ex-presidente do BC Francisco Lopes.
Apesar da unificação das investifações no Rio, Gueiros disse que outros inquéritos poderão ser abertos, caso sejam encontradas novas irregularidades. Ele informou também que a lista da Bolsa de Mercadoria & Futuros (BM&F) contendo o nome de 1,3 mil empresas que teriam cometido irrergularidades não foi enviada pela instituição, em São Paulo, ao Ministério Público Federal (MPF), no Rio.
Quanto à tentativa dos advogados de Cacciola e de Chico Lopes, de impugnar as provas recolhidas pela PF nas operações de busca e apreensão, Gueiros afirmou que é uma prerrogativa da defesa. O procurador disse que ainda não sabe se Chico Lopes declarou ao Imposto de Renda (IR) a quantia de R$ 1,6 milhão a qual teria direito, de acordo com o bilhete mandado à mulher dele pelo economista Sérgio Bragança, ex-sócio do ex-presidente do BC na empresa Macrométrica. Ele garantiu, entretanto, que esse assunto está sendo examinado pela Receita Federal.
À tarde, os procuradores e os delegados federais do Rio e de Brasília foram à 6ª Vara Federal ver os documentos apreendidos nas casas de Chico Lopes e Cacciola, mas Gueiros afirmou que essa primeira visita não significa que eles estejam trabalhando no inquérito, pois, para isso acontecer, é preciso que a PF do Rio registre a transferência do inquérito aberto em Brasília para o Estado.
A juíza recebeu os delegados, no fim da tarde de hoje, mas, antes, esteve com dois delegados da Receita Federal. O advogado de Cacciola, José Fragoso, também esteve hoje com Ana Paula, para a qual pediu a devolução de um envelope lacrado encontrado na casa do ex-banqueiro. No envelope, estava escrito que só deveria ser aberto em caso de extrema necessidade. Fragoso alegou que o documento contido no envelope não tem qualquer relação com o inquérito e que a revelação do conteúdo prejudicaria pessoas relacionadas a Cacciola, mas não ao Banco Marka. A juiza prometeu não divulgar o conteúdo dos documentos, caso decida abrir o envelope. No entanto, não o devolveu a Fragoso.


