Inquérito da Aeronáutica termina em 100 dias
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domingo, 21 de janeiro de 2007
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
Peritos da Aeronáutica terão, pelo menos, cem dias para concluir as investigações sobre as causas do acidente com o avião monomotor, modelo Bonanza A36, que caiu na sexta-feira de manhã em uma propriedade rural de Londrina. A Polícia Civil já abriu inquérito para apurar as causas e as responsabilidades da queda. A aeronave bateu em um morro na região do Limoeiro (Zona Rural de Londrina) a 1,9 mil pés de altitude com relação ao nível do mar e duas pessoas foram mortas: o empresário João Carlos Ribeiro, 54 anos, e o piloto da aeronave, Valter Luís Torres.
Ontem pela manhã, peritos da Aeronáutica estiveram no local do acidente para buscar evidências e fazer a coleta de dados sobre o acidente, como informações do local, coordenadas geográficas e informações meteorológicas. Os trabalhos demoraram cerca de duas horas. ''Não iremos apurar culpa ou responsabilidade, a nossa finalidade é descobrir as possíveis causas e trabalhar na prevenção de outros acidentes aéreos'', salientou o capitão Airton Serafim Gama, oficial de segurança de vôo da Aeronáutica de Porto Alegre (RS). Os peritos também iriam solicitar à Infraero a transcrição da conversa gravada entre o piloto do avião e a torre de comando do Aeroporto de Londrina porque o aeronave não tem caixa preta.
Depois da conclusão dos trabalhos no local do acidente, o capitão elaborou um termo circunstanciado que seria entregue à Polícia Civil com a relação dos equipamentos e das peças da aeronave encontrados no local. No entanto, o delegado de plantão Jairo Luiz Duarte de Camargo se recusou a receber o termo. Segundo o delegado-chefe de Londrina, Sérgio Luiz Barroso, o termo não foi aceito porque a polícia não tem como ter certeza de que as peças descritas ainda estão no local do acidente.
O policiamento na propriedade rural foi interrompido depois da saída da Aeronáutica. ''A polícia não tem interesse em ficar com as peças do avião porque a perícia já foi feita. Os destroços pertencem à família e eles (Aeronáutica) que entreguem esse documento à família ou à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil)'', afirmou Barroso. Procurado novamente pela reportagem o capitão Gama disse apenas que a postura adotada pela Polícia de Londrina nunca havia ocorrido antes. ''Já conclui meu trabalho e estou voltando para a minha base'', resumiu.
As investigações da Aeronáutica correm em sigilo. Agora, os peritos têm prazo de dez dias para concluir um relatório preliminar. Em seguida, a documentação será enviada para o Centro Nacional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, em Brasília, que irá elaborar o relatório final. Neste caso, o prazo para conclusão do laudo final é de 90 dias, que pode ser estendido caso seja necessário alguma análise técnica.
Sepultamento - O corpo do empresário João Carlos Ribeiro foi cremado às 12 horas de ontem em São Paulo. Em seguida, foi realizado o enterro no Cemitério do Araçá, na capital paulista. Já o corpo do piloto Walter Luís Torres foi enterrado ontem à tarde em São José do Rio Preto (interior de SP).


