Curitiba- A Polícia Federal (PF) abriu inquérito para investigar supostas irregularidades no processo de criação de oito unidades de conservação (UCs) para a proteção de araucárias no Paraná e Santa Catarina. A denúncia foi apresentada pelo deputado federal Max Rosenmann (PMDB), no ano passado, ao Ministério Público Federal (MPF). A PF pediu prazo de 90 dias para concluir as investigações, contados a partir do dia 10 deste mês. A criação das UCs gerou impasse com produtores rurais, que se sentiram prejudicados com a demarcação das áreas.
  A denúncia feita pelo deputado, segundo sua assessoria, foi embasada em documentos oficiais e informações colhidas em audiências públicas. Rosenmann aponta que dirigentes de Organizações Não Governamentais (ONGs) ambientalistas, junto de funcionários de cargos de confiança do Ministério do Meio Ambiente, teriam manipulado o processo de demarcação das reservas de acordo com seus próprios interesses. A denúncia envolve, ainda, o repasse de recursos públicos para as ONGs.
  A representação criminal chegou a ser encaminhada à Vara Ambiental da Justiça Federal de Curitiba, ainda no ano passado, mas o próprio MPF havia pedido arquivamento por inconsistência de provas. De posse de novos documentos, foi solicitada a abertura do inquérito pela PF.
  A criação das UCs no Paraná já foi alvo de ação judicial proposta por produtores rurais e madeireiros da região dos Campos Gerais. Em 20 de fevereiro, no entanto, o Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ªRegião cassou a liminar que impedia a criação do Refúgio de Vida Silvestre do Rio Tibagi, do Parque Nacional dos Campos Gerais, Reserva Biológica das Araucárias (as duas últimas oficializadas em março). Antes disso, o governo federal havia conseguido assegurar a criação de outras duas áreas –a Reserva Biológica das Perobas, também criada oficialmente, e Refúgio da Vida Silvestre dos Campos de Palmas.
  Outras três áreas –que não passaram por disputa judicial– estão localizadas em Santa Catarina e completam a região que será protegida: Estação Ecológica da Mata Preta, Parque Nacional das Araucárias, criados em outubro de 2005, e a Área de Proteção Ambiental das Araucárias. No total, serão mais 540 mil hectares de UCs, envolvendo 21 municípios nos dois estados, que darão novo fôlego para preservação do chamado pinheiro brasileiro.
  O Ministério do Meio Ambiente informou, por meio da assessoria de imprensa, que não se manifestaria sobre o inquérito. No site do ministério, há uma nota técnica que informa sobre negociações, iniciadas em outubro de 2005, com a bancada paranaense do Senado e da Câmara Federal, representantes das prefeituras e do setor produtivo para exclusão de áreas nas propostas de criação das UCs. A última reunião aconteceu em 15 de março.

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