Rio, 08 (AE) - O secretário estadual de Saúde, Gilson Cantarino, pediu e a Polícia Civil abriu inquérito para apurar denúncia de ocultação de cadáver e de falsificação de registro de óbito contra o médium Rubens Faria Júnior, que diz incorporar o "Dr. Fritz". Ele teria montado esquema com funcionários do Hospital Getúlio Vargas (HGV), na Penha, zona norte do Rio, para registrar mortes que teriam ocorrido o galpão onde atende pacientes.
Faria Júnior negou as denúncias e acusou sua ex-mulher, Rita Costa, de estar misturando "problemas pessoais com um trabalho que sempre visou o bem". Foi ela quem primeiro denunciou o médium. A acusação de que corpos de pessoas mortas no galpão estariam sendo levados para o HGV partiu do segurança Nélson José Nunes Júnior, que trabalhava desde 1995 com Faria Júnior e foi preso em janeiro por porte ilegal de arma durante uma ação da Polícia Federal.
Sindicância - O secretário de Saúde determinou abertura de sindicância interna no HGV para apurar a denúncia. Cantarino disse que pretende cruzar os registros de entrada de pacientes com o de óbitos para verificar possíveis irregularidades.
Em depoimento no 6 o segurança disse aos policiais federais que teria levado três corpos até o hospital e que costumava levar dólares para cambistas da zona sul da cidade. A investigação começou em janeiro, depois que a ex-mulher de Faria Júnior entregou diversos documentos à Polícia Federal. O inquérito na PF apura acusações de evasão de divisas, sonegação fiscal, exercício ilegal da medicina, homicídio e lesão corporal..
Falsas - Em entrevista por telefone, Faria Júnior desmentiu as acusações. "As denúncias são falsas e serão rebatidas em momento oportuno por meus advogados", disse. Segundo ele, as acusações foram feitas por pessoas que querem "ofender" sua moral e "denegrir" o trabalho que faz. "Meu trabalho, que sempre visou o bem da humanidade e a caridade, incomoda profundamente." O médium, que diz incorporar o Dr. Fritz desde 1984 e opera pacientes, já foi procurado por várias personalidades, entre elas o ex-presidente da República João Baptista Figueiredo.

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