Inquérito aponta "eventual falha técnica do avião"
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domingo, 13 de junho de 1999
Por Renato Lombardi 
São Paulo, 14 (AE) - Eventual falha técnica do avião. Essa é a conclusão do inquérito policial que apurou a queda do Fokker 100 da TAM que fazia o vôo 402 com destino ao Rio de Janeiro, na manhã de 31 de outubro de 1996, e mandado para a Justiça na semana passada. No acidente morreram 99 pessoas.
O delegado Francisco de Paula Santos, da Seccional Sul de Polícia, que assina o relatório final, criticou a conduta do Centro de Investigações e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) que não encaminhou os documentos solicitados.
"Desde o início das investigações procurou-se obter no Ministério da Aeronáutica cópias autenticadas de todos os documentos, pareceres, relatórios, declarações e depoimentos reunidos na investigação do acidente pelo Cenipa, todavia, todas foram infrutíferas", diz o delegado.
Segundo o policial, nem mesmo o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Luiz Antônio Guimarães Marrey, conseguiu os documentos, apesar do mandado de segurança impetrado. "Passados dois anos, foi fornecida apenas a minuta do relatório final, o que nada ajudou, pois as indagações não foram respondidas de forma precisa."
O avião decolou às 8h25 do Aeroporto de Congonhas com destino ao Rio de Janeiro. Caiu em seguida sobre residências e carros nas Ruas Doutor Luís Orsini de Castro, Aningas e Domênico di Gênio, no Jabaquara.
No relatório de 272 páginas, o delegado Santos faz um histórico de toda a tragédia. Ele transcreveu o último diálogo entre o piloto José Antônio Moreno e o co-piloto Ricardo Gomes no momento da queda do avião: "Comandante - Toga Co-piloto - Take off, take off, gree. Comandante - Ei, é isso que tá fora, viu? Co-piloto - Manual. Comandante - O auto-throttle tá fora. O auto-throttle tá fora. Co-piloto - Thrust check. Vone. Rotate. Porra! Travou. Comandante - Desliga lá em cima, auto-thottle, puxe aqui. Co-piloto - Tá off. Comandante - Desliga lá em cima, aqui também. Co-piloto - Tá off, tá off. Comandante - Ai meu Deus! - Não! Não! (O laudo do Instituto de Criminalística não identificou quem falou "não! não!")."
"O diálogo do comandante e do co-piloto leva-nos a crer que foi o co-piloto que realizou a decolagem do Fokker 100, com o aval do comandante", afirma o delegado.
O policial detalhou os danos provocados nas casas e nos carros pelos destroços. Citou o encontro de 2 quilos de cocaína numa parte do avião e abordou a questão do nível do fluído do sistema hidráulico 1 e 2 que encontrava-se abaixo do normal.
Ele transcreveu um trecho do depoimento do piloto Armando Luiz Barbosa que voara com o Fokker 100 um dia antes do acidente. Ao perceber o nível baixo do fluido, anotou no livro de registro e avisou o mecânico do comandante.


