Com chuvas um pouco abaixo do normal e temperaturas mais altas durante quase todo o outono, as queimadas começaram mais cedo no Centro-Sul do Brasil. Em maio, segundo dados processados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram 2.112 focos de fogo. Apenas na primeira semana de junho, já são 742 queimadas no País, com maiores concentrações em Mato Grosso e São Paulo.
Os índices deste início de junho são bem superiores aos registrados em igual período nos anos de 1997 e 1998, quando ocorreram 278 e 112 focos, respectivamente, mas ficam abaixo dos dois últimos anos. Na primeira semana de junho de 1999 foram detectados 1.171 focos e, em igual período do ano passado, 1.064.
As áreas com maior número de focos são as de Sinop, Porto dos Gaúchos e Alto Teles Pires, no Mato Grosso; Chapada das Mangabeiras e Jalapão, no Tocantins; oeste da Bahia (onde começa a crescer a monocultura de soja); margens do rio Paraguai, no Pantanal, Mato Grosso do Sul e interior de São Paulo, sobretudo em torno de Campinas e Piracicaba, região canavieira, e entre Franca e Barretos, no Nordeste do Estado, zona de pastagens.
Para tentar diminuir o uso agrícola do fogo, o Ministério da Agricultura começou ontem a segunda fase do programa de treinamento de lideranças rurais. O curso é em Porto Velho, Rondônia, e ensina práticas alternativas ao fogo para renovar pastagens, diminuir infestações de pragas e ervas daninhas. No ano passado, nos 67 municípios onde aconteceu a campanha, o número de queimadas caiu até 25%, segundo levantamento da Embrapa Monitoramento por Satélite. Este ano, 267 municípios serão atendidos.
No Inpe, o monitoramento de queimadas deste ano tem novidades técnicas, que significam grandes melhorias para quem pretende combater incêndios em unidades de conservação, para os municípios que querem evitar os problemas de saúde pública decorrentes do excesso de fumaça e para os pesquisadores e ambientalistas, que acompanham a evolução do uso do fogo.
Conforme explica Alberto Setzer, do Inpe, foram corrigidos os problemas de reflexo solar, que eventualmente inutilizavam a leitura de focos de fogo nas bordas das imagens do satélite ou em determinados horários. Agora é feita uma filtragem técnica, com base nos outros canais do satélite, dispensando a exclusão da contagem de queimadas nas áreas com suspeita de reflexo, que às vezes levava à subestimar o número de focos de fogo.
A integração com outros dados, como temperaturas máximas e umidade relativa do ar, contribui para a previsão do risco de fogo, o que pode orientar as políticas estaduais ou municipais, evitando que se autorizem queimadas agrícolas quando for grande o risco de o fogo se alastrar. ‘‘Ainda estamos validando estes modelos, buscando a confirmação da ocorrência de fogo onde fizemos a previsão de alto risco’’, comenta Setzer. ‘‘Mas o sistema já está disponível para quem quiser consultar, via Internet.’’
Mais informações: Inpe (http://www.cptec.inpe.br) e Embrapa Monitoramento por Satélite (http://www.cnpm.embrapa.br/projetos/qmd).

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