São José dos Campos, SP, 08 (AE) - A estiagem deve acabar nas próximas horas em São Paulo, Rio de Janeiro, no triângulo e no sul de Minas Gerais, Mato Grosso, e norte e nordeste do Mato Grosso do Sul. Segundo o prognóstico do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), órgão do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), essas regiões, que estavam há mais de 60 dias sem chuvas, terão o quadro de seca revertido até domingo. A frente fria chega amanhã (09) a São Paulo já provocando chuvas em boa parte do Estado.
Os Estados do Sudeste, Centro-Oeste e do arco do desmatamento, nas proximidades da Amazônia, sofrem com grandes queimadas estimuladas, em parte, pela falta de chuvas. O bloqueio formado pela massa de ar seco intracontinental, que está estacionado sobre as regiões Centro e Sudeste do território nacional, será rompido neste fim de semana pela frente fria recém chegada ao sul do País. Esse sistema vindo do Pólo Sul provocou chuvas de granizo e vendavais nos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
O sistema de ar seco que criou uma das mais prolongadas estiagens dos últimos anos perdeu intensidade. A nova frente fria vem perdendo energia ao longo de seu trajeto rumo ao Equador, mas ainda tem energia suficiente para ingressar nas áreas dominadas pela estiagem e provocar chuvas até domingo, na maioria dos Estados afetados. As chuvas devem amenizar o problema das queimadas e diminuir sensivelmente o número de focos de incêndio.
O Cptec informou hoje que foram registrados 7 mil pontos de queimada nas regiões castigadas pela falta de chuvas. A maior concentração de fogo está no arco de desflorestamento e no Centro-Oeste, compreendendo os Estados do Tocantins, Mato Grosso
Mato Grosso do Sul e Goiás. Os registros de queimadas diminuiram no Pará. A região Centro-Oeste está com presença de nuvens e melhorou a umidade relativa do ar, podendo chover já na sexta-feira. Apenas o Tocantins continuará sob influência da massa de ar seca e sem previsão de preciptações até domingo. Porém esse quadro poderá ser alterado na semana seguinte.
Queimadas - Segundo os técnicos do Cptec, o número de focos de queimadas está dentro das médias passadas e é considerado normal para a época, ao contrário do que revela o Centro de Monitoramento por Satélite da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A maioria dos incêndios acontece em áreas de pastagens e em mata de cerrado, onde não há grande riqueza vegetal como nas matas de transição situadas no arco do desflorestamento. O período de chuvas no Sudeste e Centro-Oeste começa no final de setembro.
São Paulo está com nebulosidade em vários pontos de seu território. A frente provoca chuvas isoladas, em rápidas pancadas. A entrada do sistema frio e úmido pode gerar fortes ventos no litoral sul e na região de Avaré. O céu ficará encoberto na maior parte do dia, além da queda de temperatura. Segundo o Cptec, as maiores possibilidades de chuvas no Estado se concentrarão nas regiões sul, centro-leste, litoral norte e na capital. As preciptações acontecerão em volume maior a partir do domingo, segundo prevê o instituto. O nível de preciptação poderá ser regularizado em quase todo País após a entrada dessa massa de ar polar.
O Inpe monitora as queimadas pelos satélites norte-americanos da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (Noaa), que não tem condições técnicas de precisar às áreas queimadas. Por isso será impossível calcular qual o total de mancha verde destruída pelo fogo. O período de queimadas no Brasil corresponde aos meses de junho à novembro, devido ao forte calor e a menor frequência de chuvas na meia estação. O emprego do fogo é feito em todo País, principalmente na agropecuária.

mockup