Inpe não prevê chuva no Sudeste e Centro-Oeste até quarta-feira
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quarta-feira, 01 de setembro de 1999
Por Júlio Ottoboni 
São José dos Campos, SP, 02 (AE) - Não vai chover nos próximos seis dias nas regiões Sudeste e Centro-Oeste e 66% do território nacional está sujeito a queimadas, informa o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Segundo o chefe do Cptec
Carlos Nobre, os focos de incêndio extrapolam as fronteiras do País. A Bolívia e o Paraguai estão em situação tão dramática quanto o brasileiro.
O Projeto Pró-Arco, do Inpe, tem monitorado as queimadas e produzido um mapa de risco das regiões afetadas. As queimadas, até o momento, estão sendo feitas na mesma intensidade dos anos anteriores. Em agosto de 98, o satélite Noaa registrou 32.112 focos de calor, enquanto no mesmo período deste ano foram 31.108. Não há previsão sobre o avanço do fogo em setembro. No mesmo mês do ano passado registrou-se 33.6 mil focos. " Não dá para saber o que acontecerá ", diz Nobre.
A principal área de concentração de focos de queimada continua sendo o arco do desmatamento, principalmente os trechos entre o sul do Pará e o norte do Mato Grosso. Também há grande concentração de incêndios nos eixos das rodovias, com destaque para o Cuiabá-Santarém e a estrada estadual PA-150, que liga Belém ao sul do Estado.
O clima, diz o especialista, não é o principal fator na expansão das queimadas. De acordo com Nobre, o motivo do uso de fogo em pastagens e desmatamento é econômico e as áreas mais atingidas estão próximas a núcleos de desenvolvimento econômico no segmento agropecuário. A cobertura vegetal nativa mais atingida é a de cerrado, seguida da mata de transição - que detém um perfil de flora e fauna mais complexo e próximo ao que forma a floresta amazônica. Porém, a cobertura de cerrado é uma das mais prejudicadas com os incêndios frequentes e corre risco de extinção.


