Campinas, SP, 14 (AE) - A dificuldade crescente em se conseguir o catalisador para sistemas de propulsão de satélite americano, chamado Shell 450, levou um pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - Inpe - (http://www.inpe.br), a procurar alternativas, que se tornaram o tema central de sua tese de doutorado. Os resultados foram tão positivos, que a tese se transformou num pedido de patente, já requerido nacional e internacionalmente. "As duas principais dificuldades em se conseguir o catalisador americano residem na burocracia - eles querem saber todos os detalhes sobre os satélites que vão usar o sistema de propulsão - e preço", explica José Augusto Jorge Rodrigues, do Inpe. Agora, ele trabalha no aperfeiçoamento e nos testes de longa duração de seus catalisadores alternativos, cujos custos são cerca de 136 vezes mais baratos do que o produto americano.
"Os sistemas de propulsão de satélites servem para fazer pequenas correções de órbita, orientação e atitude do satélite", explica Rodrigues. Mais ou menos como uma série de bexigas de ar que se esvaziam de forma controlada e impulsionam pequenos movimentos do satélite. O gás utilizado é a hidrazina e a forma de liberar essa hidrazina no espaço é fazê-la passar pelo catalisador, que a decompõe em nitrogênio (N2), hidrogênio (H2) e amônia (NH3) e dá o impulso necessário para propulsão do satélite em órbita.
O catalisador americano é composto de irídio (Ir) e alumina porosa (Al2O3). Inicialmente, o pesquisador do Inpe tentou fabricar o mesmo catalisador, mas depois optou por outro caminho, por sugestão de seu orientador, do Laboratório Pierre et Marie Curie, de Paris, França. Acabou desenvolvendo mais de um catalisador, à base de carbetos e nitretos com molibdênio (Mo) e tungstênio (W). Os resultados ficaram muito próximos do catalisador americano nos testes realizados no Laboratório de Integração e Testes - LIT - http://www.lit.inpe.br), em São José dos Campos (SP), onde é possível simular o vácuo.
"Até agora, submetemos os catalisadores a forças até 2 Newtons (2N) e ainda pretendemos fazer novas avaliações sob forças superiores, até 200N", conta Rodrigues. Para tanto, ele aguarda a conclusão do novo banco de testes de propulsão, previsto para operar já no segundo semestre deste ano, em Cachoeira Paulista (SP). Lá mesmo poderão ser feitos os testes de longa duração necessários para utilizar os catalisadores nos satélites brasileiros. "Por enquanto, eles poderiam servir nas missões de curta duração como as dos SACI 1 e 2, por exemplo", diz.
Rodrigues trabalhou sozinho nos catalisadores até defender a tese, em 1996, e agora conta com outros seis pesquisadores para seu aperfeiçoamento, com recursos do Pronex e do próprio Inpe da ordem de US$ 70 mil em 1998 e cerca de US$ 30 mil previstos para este ano. Maiores informações através do endereço eletrônico [email protected] ou do telefone (012) 5609200.

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