Inpe comemora lançamento do SCD-2
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 23 de outubro de 1998
Agência Estado e France Presse 
O Satélite de Coleta de Dados-2 (SCD-2) brasileiro foi lançado na quinta-feira à noite do centro espacial Kennedy, em Cabo Canaveral (Flórida), com a ajuda de um foguete Pegasus. O SCD-2 terá a tarefa de coletar e transmitir informações de estações localizadas na bacia amazônica e em outras regiões do País para avaliar a evolução da flora nestas áreas.
O SCD-2, fabricado no Brasil pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), pesa cerca de 100 quilos e foi colocado em órbita circular a 750 km de altitude. Após o SCD-1, lançado em 1993, o SCD-2 é o segundo satélite brasileiro lançado por um foguete Pegasus.
O lançamento perfeito do SCD-2 está dando motivos de sobra para comemorações no Inpe. Como a posição real no espaço está muito próxima à projetada, os técnicos do centro de pesquisa acreditam que a vida útil do equipamento será maior que os dois anos previstos.
Outro aspecto que causou grande surpresa foi a precisão da antena de recepção da Base de Lançamento de Alcântara (MA). A entrada em órbita do SCD-2, mesmo com quatro anos de atraso ao cronograma original, vem sendo festejado como uma grande conquista do País na área espacial. A antena de Alcântara, utilizada pela primeira vez neste procedimento, conseguiu um feito considerado espetacular no meio científico.
Ela conseguiu rastrear o SCD-2 por 15 segundos, na entrada em órbita, com apenas ângulo de visada de 0,8 graus. Isto corresponde a encontrar uma ponta de caneta em céu aberto. A injeção do satélite feita pelo foguete Pegasus, da companhia Orbital Science Corp., dos Estados Unidos, chegou praticamente a perfeição. A órbita projetada pelo Inpe era de 25 graus e a alcançada foi de 24,98 graus.
O Pegasus já fez 24 lançamentos e falhou em apenas um deles. Os cientistas do Centro de Rastreio e Controle do Inpe usaram os 15 segundos iniciais do satélite no espaço para enviar dois telecomandos, que determinaram o acionamento dos sensores solares e o cálculo da órbita real.
As 23h58 de anteontem, o SCD-2 completou sua primeira órbita e confirmou-se a altitude média de 750 quilômetros e a rotação circular na faixa equatorial do planeta. Cerca de 100 minutos mais tarde, na segunda passagem sobre o território nacional, foi ligado o magnetrômetro, que posicionou o aparelho em relação ao Sol e a Terra.
A fase de checagem dos sistemas a bordo do SCD-2 termina hoje de manhã, quando o equipamento passa a captar e transmitir as informações ambientais das 300 Plataformas de Coleta de Dados espalhadas pelo País. O segundo satélite brasileiro no espaço deverá passar oito vezes por dia nas telas de comando do Inpe e será monitorado pelas estações terrenas de Cuiabá (MT) e Alcântara (MA).


