Inocêncio vai negociar fim do conflito sobre bloco
Brasília, 16 (AE) - O presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), disse hoje que o líder do partido na Câmara dos Deputados, Inocêncio Oliveira (PE), será o responsável pelas negociações para pôr fim ao conflito criado com a formação do bloco PSDB-PTB. "O líder, a partir de agora, é o responsável pelo andamento e pelos entendimentos", informou Bornhausen, avaliando que Inocêncio "tem responsabilidade e sabe a consequência que pode ter um gesto impensado". O líder encontrou-se há pouco com o vice-presidente da República, Marco Maciel, e deverá encontrar-se, logo mais, com o presidente Fernando Henrique Cardoso.
Bornhausen relatou que, após seu encontro com Fernando Henrique, no início da tarde, conversou com Inocêncio Oliveira e verificou que o deputado tem uma visão diferente da sua sobre os procedimentos que devem ser adotados. Bornhausen defende uma mudança no regimento da Câmara para que a distribuição das comissões permanentes continue como está, sem que o PSDB tenha a presidência de novas comissões. Já Inocêncio, segundo o senador, prefere "deixar que apareçam as negociações, e aí o preço é outro".
Bornhausen lançou suspeitas sobre as negociações entre o PSDB e três parlamentares que entraram no partido, nos cinco minutos finais do prazo para mudança de partido, vencido às 20 horas de ontem. Os deputados são Airton Roveda (PR), que era do PFL; Marcos de Jesus (PE), que era do PST, e de Aldir Cabral (RJ), também do PFL. Os dois últimos são ligados à Igreja Universal. Bornhausen classificou a transferência de "uma microcirurgia com objetivos aritméticos" e disse que o deputado Jorge Wilson (PMDB-RJ), também ligado à Igreja Universal, chegou a entregar sua ficha de filiação ao PSDB, mas a transferência teria sido suspensa, segundo o presidente do PFL, ao se constatar que o partido já teria se transformado na maior bancada na Câmara.
O presidente do PFL defendeu a necessidade de uma reforma política. Ao criticar as mudanças de partido ocorridas ontem e a formação do bloco parlamentar do PSDB como o PTB, ele disse que o fato "demonstra, mais que nunca, que a fidelidade partidária deve existir, pois este troca-troca é prejudicial à classe política e à Câmara dos Deputados". Segundo o presidente do PFL
as mudanças de partidos devem ser feitas "de forma clara, transparente, com divulgação antecipada e com reuniões de bancada".
Este episódio, na avaliação de Bornhausen, pode trazer consequências negativas ao governo, diante da desunião na base e da suspeita de barganha. O senador disse, ainda, que o governo corre o risco de entregar posições-chave a pessoas que não merecem a sua confiança. Ele disse, ainda que, ao coordenar esse movimento do PSDB, o líder do partido na Câmara, deputado Aécio Neves (MG), "sepultou sua candidatura à presidência da Câmara, pois mostrou que não respeita limites".
Jorge bornhausen (SC) voltou a defender a proposta em estudos no partido de elevar o salário mínimo para um valor equivalente a US$ 100,00. O senador menosprezou as críticas do PSDB à proposta e disse que a equipe econômica precisa ser provocada para encontrar soluções para os problemas. "A mesma criatividade que o governo teve para ajustar o Fundo de Erradicação da Pobreza sem aumentar a carga tributária nós estamos certos que ela também vai apontar um caminho (para o aumento do mínimo) ", afirmou. "Quando você não provoca a equipe econômica em busca de uma solução, ela vai sempre na solução mais fácil, essa que é a verdade, isso é histórico."





