Brasília, 25 (AE) - O líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE), mudou de idéia e desistiu hoje de apoiar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Judiciário, proposta pelo líder do PDT na Casa, Miro Teixeira (RJ), depois que o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), reunia 48 assinaturas para a criação da CPI no Senado. Oliveira apresentou três argumentos para justificar o recuo, depois de uma conversa com ACM, na manhã de hoje.
Segundo Oliveira, a CPI mista iria atrapalhar muito a reforma do Judiciário, que será retomada na Câmara. Também iria fechar um canal institucional que o Congresso poderá manter com o Judiciário, por meio dos debates da reforma, fazendo um contrapeso à devassa promovida na Justiça pelo Senado. Por último, alega Oliveira, sem uma CPI mista, o Congresso poderia ter uma atuação mais equilibrada, com a CPI do Senado auxiliando a comissão da reforma do Judiciário na Câmara e vice-versa.
Oliveira afirmou que estavam sendo retiradas as 80 assinaturas de deputados da bancada que haviam comprometido apoio à proposta de Miro Teixeira para a CPI mista. "Já suspendi o flap", anunciou Oliveira. "Não vai haver mais CPI mista", afirmou, contando ter a concordância de Magalhães. Com o apoio do PFL que estava garantido desde a véspera, Miro Teixeira havia reunido 105 assinaturas de apoio ao requerimento para a criação de uma CPI mista. Ele dependia de mais 66 assinaturas para dar formalizar a proposta.
O líder pefelista admitiu também que, se as investigações sobre o Judiciário estiverem restritas ao Senado, será mais fácil haver um controle sobre os rumos da CPI do que numa comissão mista de senadores e deputados.
"Uma Casa de 81 (senadores) é muito mais fácil de conversar do que uma Casa de 513 (deputados); foi uma decisão sábia", completou Oliveira, afirmando que ACM concordara com as ponderações e reafirmara que "não quer ir para o confronto, mas quer ajudar".
"Se o PFL desistir, será uma grande frustração, não haverá CPI", reagiu Miro Teixeira. Ele começou a articular a idéia da CPI mista há duas semanas, no gabinete de Magalhães.
O líder do PDT procurou ACM e sugeriu uma composição de deputados e senadores para investigar as denúncias sobre o Judiciário e ressaltou que uma CPI seria incontrolável. "Mas esta CPI deve mesmo ser incontrolável porque não pode haver suspeitas de que o Senado exerceu controle sobre uma CPI", insistiu Miro Teixeira. Segundo o pedetista, ACM afirmou que queria uma CPI mista e ele rebateu, dizendo que dependeria dos votos do PFL para a tornar viável. "Então, reúna as assinaturas", endossou ACM, segundo Miro Teixeira. "O PFL agora terá de explicar por que essa contradição", rebateu o líder do PDT, que, à tarde, conversou por duas vezes com ACM e ouviu dele a garantia de apoio ao projeto misto.

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