Brasília, 12 (AE) - O líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira, apresentou há pouco aos líderes dos partidos de oposição proposta para que seja votado hoje o Orçamento Geral da União, e, em troca, os governistas se comprometeriam a votar a medida provisória do salário mínimo no próximo dia 26 (quarta-feira após a Semana Santa).
Com isso, seria possível a aprovação da MP do mínimo antes do Dia do Trabalho - 1º de maio - conforme defende a oposição. Segundo parlamentares governistas, a proposta de acordo teria sido formulada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso em telefonema a Inocêncio Oliveira.
O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), já estava alertando, na sessão que ocorre neste momento, que, sem acordo, não seria possível a votação do Orçamento hoje.
Só neste fase de debate da proposta orçamentária, tanto o governo quanto a oposição têm direito a inscrever cinco parlamentares cada um para falar por 20 minutos. Mesmo que o governo decida que os seus parlamentares falarão por apenas um minuto, os da oposição usarão todo o seu tempo e, assim, a sessão se prolongaria madrugada adentro.
Nervosismo - A "guerrilha" da oposição para atrasar a votação da proposta de Orçamento da União para este ano enervou parlamentares da base governista. O deputado Gerson Peres (PPB-PA) acusou o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), de estar sendo condescendente com o movimento da oposição.
O deputado pediu que Magalhães interrompesse uma questão de ordem que estava sendo apresentada pelo deputado Walter Pinheiro (PT-BA), na qual este pedia a suspensão da pauta do Congresso até que fossem votados os vetos presidenciais que já estão com prazo de votação vencido.
"Aplique o regimento, presidente, que eu quero dormir na hora em que eu devo dormir", disse Peres. Ao ouvir, como resposta, um "problema seu", dito pelo presidente do Congresso, o deputado paraense acusou: "Vossa Excelência está sendo condescendente com o baiano aí (Pinheiro) que está falando", reclamou Peres.
Magalhães, que está sendo mais tolerante do que é seu hábito com as questões de ordem da oposição, ironizou a intervenção de Peres e retrucou que a atitude dele só lhe dava "um motivo a mais para ser tolerante". O deputado calou-se ao ouvir um coro no fundo do plenário que dizia: "Vai dormir, Peres."

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