Inmetro reprova preservativo e determina retirada de lote com mais de 1 milhão de unidades do mercado
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 1999
Por Eliane Azevedo 
Rio, 11 (AE) - Um lote de 1.036.800 preservativos importados da marca Prudence está sendo recolhido do mercado por determinação do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). Um teste feito com uma amostra do lote 8H26, recolhida em Pernambuco, apresentou um número de unidades acima do aceitável que permitiam vazamento. "É um problema grave, que coloca em risco a saúde da população", advertiu o diretor de Qualidade do instituto, Wilson Barbosa de Oliveira. Segundo ele, a irregularidade coloca sob suspeita todos os demais lotes de camisinhas Prudence à venda - no cálculo do Inmetro, isso significa 28 milhões de unidades.
O preservativo Prudence é fabricado na Malásia pela Medilatex e importado pela DKT do Brasil. É a terceira marca em vendas no País. O Inmetro está investigando também a suspeita de fraude em outros três lotes, encontrados no Paraná, que apresentavam a mesma data de fabricação do apreendido. O instituto encaminhou ao fabricante o pedido de informação sobre quantas linhas de produção do preservativo estão em atividade. "Se só houver uma ou duas linhas, não se justifica a existência de quatro lotes com a mesma data", explicou Oliveira. "Poderemos recolher imediatamente esses outros lotes, de forma cautelar, e realizar os ensaios para verificar a qualidade do produto", adiantou.
A camisinha Prudence e a importadora DKT estão na mira do instituto desde 1997, quando a empresa conseguiu uma liminar na Justiça Federal de São Paulo para não cumprir a nova regra de certificação estabelecida desde que um teste geral com preservativos, feito pelo Inmetro em parceria com o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), apontou defeitos na maioria das marcas. As importadas, sujeitas a alterações por conta do transporte e armazenamento, passaram a ter de obter a certificação - o selo do Inmetro - depois de analisado cada lote, não bastando apenas a certificação de fábrica. Resistência - A DKT é a única que, por força de liminar, não obedece à exigência. "Queremos a isonomia com os fabricantes nacionais, que só são testados a cada seis meses ou mais", afirmou o diretor de marketing da empresa, Marcio Clemente. "A regra só mudou depois de um teste duvidoso encomendado pelo Idec. Nós somos uma empresa séria, que trabalha em 40 países".
O diretor do Inmetro, no entanto, aponta que esse histórico de resistência à testagem por lote coloca a importadora sob suspeita. "Podemos dizer que é um produto muito ruim, no qual eu não confio e que não compro", disse Oliveira, enfático.
O teste no qual a Prudence foi reprovada faz parte do Programa de Verificação de Conformidade, um exame simplificado que analisa se o preservativo vaza e seu nível de resistência, feito periodicamente com unidades compradas no mercado. Das 11 marcas testadas, não passaram no quesito vazamento apenas Prudence e a chinesa BSex - importada pelo Ministério da Saúde e não distribuída, em função da reprovação do Inmetro.
"Não fomos chamados para discutir o problema, como combinado entre o Inmetro e os importadores", acusou Clemente, que diz ser absurdo o cálculo do instituto de que há 28 milhões de camisinhas Prudence sob suspeita nas farmácias, lojas e motéis. "Importamos uma média de 30 milhões de unidades por ano e, portanto, não podemos ter 28 milhões à venda", afirmou. Ele também garantiu que a fábrica da Malásia tem condições de colocar para funcionar quatro linhas de produção dos preservativos. A DKT, segundo Clemente, já mandou recolher o lote reprovado, mas o diretor do Inmetro duvida que seja possível apreender todas as unidades. "É uma possibilidade remota", disse. Para Oliveira, a melhor coisa a fazer não comprar a camisinha Prudence.


