Inmet prevê geadas a partir de junho
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quinta-feira, 20 de maio de 1999
Por Mariângela Herédia 
Brasília, 21 (AE) - O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) do Ministério da Agricultura prevê riscos de geada no norte do Paraná, São Paulo e Minas Gerais a partir de junho, o que poderá prejudicar as lavouras de café nessas regiões produtoras. Segundo o chefe da Divisão de Meteorologia Aplicada do Inmet, Expedito Rebello, hoje já foram registradas baixas temperaturas na região do Triângulo Mineiro, chegando a 2,8ºC em Patrocínio e 3ºC em Uberaba. "Só não ocorreram geadas porque os ventos estavam fortes", explicou o meteorologista.
As previsões do Inmet indicam que o próximo inverno, que se inicia dia 23 de junho, será o mais rigoroso dos últimos 10 anos, com frio intenso nas Regiões Sul e Sudeste e possibilidade de ocorrência da "enchente do século" na Região Norte. De acordo com Expedito Rebello as águas do rio Negro já estão 28,60 m acima do nível do Porto de Manaus, e o índice de 29 metros é o limite para o que os meteorologistas consideram "cheia extraordinária". "O pico da cheia ocorre entre 7 e 13 de junho e quase um mês antes já estamos com este índice alto", disse Rebello, ao informar que a maior enchente na Região Norte aconteceu em 1953, quando o rio Amazonas subiu 29,69 m. O meteorologista contou ainda que o rio Solimões já está cheio, provocando inundações em algumas cidades da região.
Para o Nordeste, o Inmet também prevê enchentes e inundações no inverno, nas cidades de Recife, Maceió, Aracaju e Salvador. No Centro-Oeste, o clima deverá permanecer seco com temperaturas baixas, mas a umidade relativa do ar só deverá ficar abaixo de 20% em agosto.
Segundo Rebello, o fenômeno climático La Niña é o componente principal para o inverno rigoroso deste ano, mas outras evidências contribuem para as baixas temperaturas. "Existe uma extensão de 20 mil quilômetros de águas que estão 4ºC mais frias, desde o sul da Austrália ao sul do Chile, o que tende a fortalecer as massas polares", explicou.
Além disso, os meteorologistas obervaram que o gelo ao redor da Antártida está muito superior aos últimos anos. "Vários trabalhos científicos associam a este fato a entrada de massas polares mais fortes na América do Sul, com influência direta no Brasil", concluiu.


