Uma nova técnica para tratar nódulos na tireóide está substituindo a cirurgia. Trata-se de uma injeção de álcool no local da lesão. No entanto, no caso de nódulos malignos, a intervenção cirúrgica continua sendo indicada, alerta o endocrinologista Francisco José Marquezine, de Londrina.
A tireóide, explica Marquezine, é um órgão localizado no pescoço, logo abaixo do conhecido ''gogó''. A glândula é responsável por produzir um hormônio chamado T4, que regula todo o metabolismo do corpo. Por isso, se há alterações no funcionamento da tireóide, há alterações em todo o metabolismo.
Quando a alteração aumenta a produção do hormônio, é a doença chamada hipertireoidismo, que provoca uma aceleração no ritmo do organismo. ''Acelera tudo, o lado psicológico, o sistema nervoso, o suor, a digestão, o coração e afeta também a pele, cabelo e unha'', explica o médico.
Quando a pessoa tem hipertireoidismo, ela emagrece rápido, mas não de maneira saudável, ressalta Marquezine. ''Emagrece à custa de tecido magro, que é o músculo''. O diagnóstico normalmente é fácil: o pescoço cresce, o olho ''salta'', a pessoa fica com tremores, nervosa, e com muito calor.
O contrário, quando há redução na produção do hormônio, é chamado de hipotireoidismo. Neste caso, tudo no corpo fica mais devagar, desde o pensamento e raciocínio, até o intestino e coração. ''O organismo fica inteiro preguiçoso, sonolento, a pessoa sente frio'', exemplifica o médico. E como a queima de energia também fica lenta, a pessoa normalmente engorda. Mas aqui, vale uma ressalva: ''nem todas as pessoas que engordam tem problema na tireóide''.
Outros problemas no órgão são os nódulos e as tiroidites. Segundo Marquezine, na maioria dos casos de nódulos, a função da tireóide continua normal, mas pode evoluir para um hipo ou um hipertireoidismo. Já as tiroidites, quando há inflamação da tireóide, podem levar a um hipotireoidismo ou manter o funcionamento normal do órgão. Há ainda o bócio, popularmente caracterizado por ''papo'', quando há um aumento da tireóide, que pode ser difusa ou nodular.
No caso dos nódulos, é preciso diagnosticar se eles são malignos ou benignos, e isso é feito com um exame chamado punção de tireóide. O método começou a ser usado há cerca de 20 anos e reduziu drasticamente o número de cirurgias da tireóide. ''Apenas 2% a 3% dos casos de nódulos são malignos e é realmente necessário fazer a cirurgia. Mas antes desse exame, tínhamos que fazer a cirurgia em todos os casos'', aponta Marquezini.
Há casos de nódulos, que apesar de não serem malignos, incomodam, ou porque comprimem o pescoço, ou por causa da estética. E a opção para quem não quer fazer uma cirurgia neste caso, é o tratamento com injeção de álcool, utilizada há apenas dois anos.
O endocrinologista explica que são feitas de duas a três aplicações. O álcool injetado causa uma reação irritativa, e o corpo deixa de produzir o líquido que forma o nódulo. Por causa da reação, o nódulo vai ''fibrosando'', formando uma cicatriz por dentro, e diminui de tamanho. ''É a conduta mais moderna que existe, a menos invasiva e agressiva. A única coisa que ainda limita sua utilização é que os planos de saúde ainda não cobrem o procedimento'', avalia.

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