Um perigo antigo tem tomado proporções alarmantes recentemente. O número de diabéticos deve aumentar em 65% na América Latina nos próximos 20 anos. A estimativa é de que cheguem a 30 milhões o total de casos latino-americanos nas duas décadas e que aumente de 285 milhões para 438 milhões o número de pessoas com a doença no mundo, de acordo com o levantamento da Fundação Mundial de Diabetes.
  O Brasil figura entre os 10 países com maior percentual de diabéticos, com 6,4% da população geral. Ao lado de outras doenças crônicas não transmissíveis, o diabetes é um dos principais desafios da área da saúde e pode
ser considerada como
uma epidemia.
  E agora a doença começa a atacar cada vez mais jovens e crianças. Um desafio para quem desenvolve o problema e também para toda a família, que precisa se adaptar aos novos hábitos do portador, entre eles cuidar da alimentação e praticar exercícios físicos com regularidade.
  Para a maioria dos jovens essa adaptação acontece com dificuldade, mas esse não foi o caso de Naiara Guilhen Martins. Portadora do diabetes tipo 1 há oito anos, ela garante que sempre foi uma boa paciente. ‘‘Me acostumar à rotina de um diabético não foi difícil, porque sempre tive bons hábitos e os mantenho
até hoje’’.
  A doença desenvolvida por Naiara é a que aparece com mais frequência nos jovens. Ainda não há explicações que determinem o aparecimento do problema, mas é certo que de maneira repentina o pâncreas deixa de produzir insulina, causando o acúmulo de glicose no sangue.
  O diabetes foi descoberto pela jovem aos 13 anos, enquanto passeava com a família na praia. Ela conta que teve infecção urinária, sentia muita fome e sede e chegou a perder oito quilos, sintomas comuns entre os diabéticos, o que levantou suspeitas por parte de um médico. ‘‘Como estava com esse quadro há alguns dias, fui ao médico e ele pediu um exame para medir o açúcar’’, lembra.
  Hoje, Naira tem uma vida comum e revela que, como em todo relacionamento, às vezes se sente abatida pelos cuidados que precisa ter com o problema: a aplicação diária de pelo menos cinco doses de insulina, além da ‘‘luta’’ diária para evitar os excessos com o consumo de doces e a disposição para ir à academia algumas vezes na semana. ‘‘Tive algumas recaídas, mas sempre fui muito responsável. O ruim é cortar o doce’’, revela. ‘‘Aliás, um problema que o diabético enfrenta é a falta de opção de produtos dietéticos’’, reclama.
  O problema apresentado por Naira causou um
‘‘baque’’, principalmente na mãe, Rose Guilhen Martins, que entre as primeiras medidas tomadas estava fazer com que os demais filhos fizessem os exames para ver se também tinham
o problema. ‘‘Agora é
cuidar dela e passar todo o conforto e segurança necessários’’, diz.

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