O governo ainda não definiu quantos homens mandará para o sul do Pará nem a data exata para o início da repressão a grileiros e pistoleiros. A meta é repetir a Operação Mandacaru, que no final de 1999 e início de 2000, erradicou plantações e combateu o comércio de maconha no Polígono da Maconha, no sertão de Pernambuco.

Na época, a repressão aos plantadores e traficantes foi coordenada pelos agentes da Federal com apoio logístico das Forças Armadas. Ao mesmo tempo o governo facilitou o crédito para pequenos agricultores desenvolverem culturas lícitas. ''A experiência foi positiva'', afirma o secretário Nacional da Reforma Agrária, Orlando Muniz. O plano, segundo ele, também visa dar segurança e consolidar assentamentos, reprimir o desmatamento ilegal e combater o trabalho infantil.

Muniz afirma que o número de mortes no campo é preocupante. O caso mais recente ocorreu em julho, quando o líder sindical José Pinheiro Lima, sua mulher e um filho menor foram mortos no município de Marabá. O suspeito é um fazendeiro da região que está foragido. Outros três sindicalistas estariam marcados para morrer.

Em maio do ano passado, cinco pessoas foram assassinadas, sendo que duas tiveram as orelhas cortadas, em Xinguara. Há ainda casos de tortura praticados por policiais civis e militares nos municípios de Conceição do Araguaia, Rio Maria, Floresta, Redenção e São Geraldo. Das vítimas, 13 seriam menores.

Como o sul do Pará foi palco da Guerrilha do Araguaia, que deixou um saldo de 59 desaparecidos políticos e uma morte confirmada, o ouvidor agrário nacional defende uma participação efetiva de entidades não-governamentais, do governo do Estado e das prefeituras para evitar riscos aos direitos humanos. ''A operação é baseada em um pedido feito pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara que cobrou ações para combater a violência na região.'' (A.E.)

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