Iniciativa pioneira será avaliada em junho
Curitiba- A Universidade de Brasília (UnB), pioneira entre as instituições federais na aprovação de cotas para negros, vai poder avaliar na prática o resultado da iniciativa depois de junho, quando acontece o primeiro vestibular considerando a reserva de 20% das vagas. Mais de 18% dos inscritos o que equivale a 4.440, aproximadamente se declararam negros. O ingresso dos alunos aprovados nesse concurso acontece em agosto. O Plano de Metas para Integração Social, Étnica e Racial da UnB foi aprovado pelo Conselho Universitário em junho do ano passado.
De acordo com a relatora da comissão que propôs o plano de metas da UnB, Dione Moura, os negros inscritos se submeterão às mesmas provas que os demais candidatos. Se não houver aprovados em número suficiente para preencher os 20% da cota, as vagas serão ocupadas por outros candidatos melhor classificados no sistema universal.
A política de inclusão social da UnB, segundo Dione, pretende obter resultados de médio e longo prazos. ''O resultado não é imediato. Primeiro, o negro vai se tornar um universitário, depois de passar cinco ou seis anos estudando. Serão mais cinco anos para ele ingressar e se estabelecer no mercado de trabalho e vai gerar filhos de pais universitários. A médio e longo prazo vai se estabelecer uma nova geração de negros, que vão passar a usufruir do ensino universitário'', analisou. Segundo Dione, atualmente, apenas 2% de um total de aproximadamente 26 mil acadêmicos na UnB são negros.
Um dos pontos do sistema da UnB que provocou polêmica foi o fato do candidato, que se declarou negro, ter que tirar uma fotografia para ser analisada por uma comissão, que irá atestar se o conjunto de traços físicos comprova a declaração do vestibulando. Em matéria publicada no site da UnB, o vice-reitor da instituição, Timothy Mulholland, admite de que a não-homologação de algumas inscrições pode resultar em processos judiciais contra a universidade.(A.L.)





