Iniciativa foi barrada em Londrina
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quinta-feira, 23 de agosto de 2001
De Londrina 
Em fevereiro deste ano a Polícia de Londrina impediu a Associação Londrinense Interdisciplinar de Aids (Alia) de fazer a troca gratuita de seringas e agulhas descartáveis de usuários de drogas em toda a cidade. A intenção da Alia era orientar os usuários sobre os riscos de doenças transmissíveis a que eles estão expostos.
Essa orientação faz parte do projeto de Redução de Danos, que começou a ser implantado pela Alia no começo deste ano. O projeto é financiado pelo Ministério da Saúde, coordenação regional do Programa de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST-Aids) e Unesco.
O delegado-adjunto da 10 Subdivisão Policial (SDP) de Londrina, Jurandir Gonçalves André, disse que indeferiu o pedido de autorização para a troca porque a lei proíbe. ''Qualquer auxílio ao uso de entorpecente é proibido. Se insistirem em fornecer este tipo de material, responderão por crime de tráfico de entorpecentes'', afirmou. Para André, traficante não é só quem vende droga. ''Pela lei, quem induz, instiga, auxilia ou contribui de alguma maneira para que alguém use entorpecente é traficante. E a pena é de 3 a 15 anos de prisão'', afirmou.
De acordo com o delegado, a iniciativa da entidade não se justifica mesmo com boa intenção. ''Primeiro porque Londrina não registra incidência de consumo de 'pico' (drogas injetáveis). Na região, o que se consome é maconha, cocaína e crack, principalmente. Segundo, porque estas organizações têm que atacar o problema no sentido de curar o vício, não estimular o uso de drogas'', criticou.
O coordenador do projeto, Márcio Antunes, informou que o objetivo da Alia não é fazer apologia ao uso de drogas, e sim, reduzir danos e riscos, com enfoque na saúde pública. Antunes destacou que levar informações aos usuários de drogas não é o único objetivo do projeto Redução de Danos.
Os chamados ''kits de redução de danos'' já estão sendo distribuídos para homossexuais e travestis em Curitiba. O presidente do Grupo Dignidade,
Toni Reis, contou que são entregues preservativos, seringas e panfletos educativos para evitar a propagação da Aids. ''Temos que tomar todas as providências possíveis para impedir que a Aids se prolifere. Os usuários de drogas são considerados como grupos de risco. Se não podemos tirá-los do vício, temos que fazer com que eles se previnam'', orientou Reis. (Com Curitiba)


