Iniciativa fere acordo com os Estados Unidos, diz fabricante
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quinta-feira, 23 de agosto de 2001
Agência Estado<BR>De Genebra, Suíça 
Representantes da Roche, na Suíça, afirmam que o anúncio do ministro da Saúde, José Serra, de que pode quebrar a patente do nelfinavir desrespeita o acordo que o Brasil fez com os Estados Unidos sobre propriedade intelectual. Há três meses, foi acertado que, quando o País quisesse quebrar a patente de um produto norte-americano, o governo dos EUA seria consultado. No caso do nelfinavir, isso não ocorreu.
''Para nós, todas as ameaças de quebra de patentes deveriam ser primeiro comunicadas a Washington'', afirmou o porta-voz da Roche, Daniel Piller. Apesar de a empresa ter sua sede na Suíça, a patente do nelfinavir é da norte-americana Pfizer. A Roche vende o remédio fora dos EUA.
Mas para um negociador brasileiro, a empresa em questão é suíça e não importa em que país a patente foi registrada. ''Isso não seria uma violação do acordo. A história é com a Suíça'', afirmou.
Já o representante da Federação Internacional da Indústria Farmacêutica, Eric Nuremberg, acredita que o anúncio de Serra não passa de uma ''tática negociadora'' para pressionar a Roche a aceitar um acordo favorável ao Brasil. ''Uma coisa é falar, outra é tomar ações concretas.''
A Roche negou que as negociações com o Brasil sobre o nelfinavir tenham sido rompidas, como afirmou Serra. O laboratório informou que cogitava produzir o remédio no Brasil a partir de 2002. ''Agora teremos de avaliar como ficará essa proposta'', disse Piller.
Em comunicado oficial, o laboratório informou que o preço praticado no Brasil, para a venda do Viracept, é um dos menores do mundo e 50% menor do que o praticado nos EUA. A Roche também pretende, a partir de 2002, produzir o nelfinavir no país, o que poderia reduzir ainda mais o preço do medicamento, que integra a lista do coquetel anti-Aids.
As organizações não-governamentais declararam ontem apoio à iniciativa brasileira. ''Esperamos que outros países tomem a mesma decisão'', disse Paul Davis, da Health Gap Coalition, uma ONG norte-americana.


