Iniciado segundo julgamento de Colli
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem Local 
Londrina A Justiça iniciou ontem a audiência de instrução e julgamento da segunda ação criminal contra o ex-presidente do Partido Verde (PV), Marcos Colli, que é acusado de estupro de três meninas de nove e 12 anos e de fotografar e filmar essas crianças em poses sexuais e pornográficas.
Na audiência realizada na 6ª Vara Criminal de Londrina, foram ouvidas todas as testemunhas de acusação arroladas pelo Ministério Público (MP). Os três informantes da defesa, os dois filhos de Colli e a ex-namorada, se resguardaram ao direito de permanecerem calados. O interrogatório do réu foi agendado para o dia 22 de outubro, além de outras cinco testemunhas de defesa que serão ouvidas por carta precatória.
Para o advogado Mateus Vergara, após o depoimento das testemunhas, a tese da defesa, de uma rede de prostituição, se confirma cada vez mais. "Uma das vítimas, que hoje tem 21 anos, disse que não sabe com quem perdeu a virgindade. E que foi estuprada por 10 anos pelo Colli, por que não falou isso antes? Porque é uma mentirosa. Por que ela continuou saindo com ele, inclusive este ano?", questionou Vergara.
Segundo o advogado, o depoimento da vítima, que é tia de três irmãs que também teriam sido estupradas, é apenas para corroborar a história da irmã, que seria, de acordo com Vergara, "a chefe da rede". "As denúncias só vieram à tona porque houve o fechamento das torneiras do dinheiro. Nenhuma rede criminosa funciona sem dinheiro", frisou.
O MP nega que havia qualquer tipo de pagamento para a família das vítimas. Segundo a promotora da Vara da Infância e Juventude, Susana Lacerda, Colli se valia da sua posição de político e de advogado para se aproximar das crianças. "Muitas acreditavam que ele era vereador e não denunciavam justamente por acreditar nesse poder. Ele se aproveitava da proximidade com a comunidade para chegar nas meninas, convidá-las para sair e praticar os crimes", afirmou a promotora.
O MP contesta a tentativa da defesa de mostrar que as vítimas "gostavam ou queriam" ter relações com o Colli. "Toda essa sexualização foi provocada pela conduta do réu. Tratam-se de crianças vulneráveis, sem nenhum conhecimento sexual e a partir de um contato errôneo acabam muitas vezes para uma banalização do corpo", ressaltou a promotora.
Colli responde a quatro ações criminais na Justiça pelos crimes de estupro de vulneráveis e filmar e fotografar crianças em poses sexuais e pornográficas. Ao todo são 12 vítimas. O ex-assessor da Câmara Municipal de Londrina está preso desde o dia 20 de maio.


