Paris, 02 (AE-REUTERS) - Foi iniciado nesta terça-feira (02) em Paris o julgamento de uma mulher acusada de circuncidar cerca de 50 meninas, em um caso que põe à prova a lei francesa contra o milenar costume africano.
Os pais de 27 vítimas estão sendo julgados como cúmplices.
O júri, que deve durar duas semanas, é o maior dessa natureza já realizado na França e o primeiro desencadeado pela queixa de uma vítima e presidido por uma mulher, a juíza Martine Varin.
Mariatou Koita, de 23 anos, cidadã francesa originária de Mali
exigiu uma audiência com um juiz, há cinco anos, depois que a acusada, Hawa Greou, de 52 anos e também malinesa, foi ao apartamento de seus pais circuncidar sua irmã menor, Mariam.
Mariatou, que saiu de casa após esse episódio, identificou Hawa com a mulher que a havia circuncidado quando tinha 8 anos de idade. Investigadores encontraram os outros acusados depois de rastrear ligações telefônicas. Hawa, sob custódia desde 1994, pode ser condenada a 20 anos de prisão se for considerada culpada.
"Hawa está sendo processada por ter realizado cerca de 50 circuncisões, mas certamente já fez muitas mais", disse a advogada Linda Weil-Curiel, da Comissão para a Abolição da Mutilação Genital.
Para o advogado de defesa, Jean Chavais, a circuncisão é um costume africano bastante arraigado e a Justiça não está bem equipada para combatê-lo. "Devemos combatê-lo de outras formas, não em um tribunal; leva-se muito tempo para modificar hábitos."
A circuncisão feminina foi convertida em delito na França em 1984, mas as primeiras condenações decorrentes desse tipo de crime foram aplicadas em 1991.

mockup