Inglaterra quer recuperar superávit em comércio com o Brasil15/Mar, 18:16 Por Cláudia Dianni Brasília, 15 (AE) - A Inglaterra está disposta a recuperar o tradicional superávit que manteve nos últimos anos no comércio com o Brasil. Para isso, o governo britânico vai reduzir os juros dos créditos disponíveis à exportação de produtos britânicos para o Brasil. A iniciativa foi anunciada pelo vice-primeiro-ministro do Reino Unido, John Prescott, que está no País com uma comitiva de empresários ingleses. Um dos objetivos da visita é mostrar aos investidores que o Brasil oferece mais estabilidade e aumentou a confiança na economia do País. "Muitos setores na Inglaterra ainda têm uma imagem antiga do Brasil; como a de um país de inflação alta", disse o ministro. "É preciso mudar isso." As taxas de juros dos créditos à exportação na Inglaterra são estipuladas conforme a classificação do país na Organização para Cooperação e Desenvolvimentos Econômico (OCDE) com relação aos riscos que o país oferece. Segundo Prescott, depois do Plano Real e, principalmente depois da desvalorização da moeda em janeiro do ano passado, o risco Brasil diminuiu e é preciso convencer os investidores disso. O ministro não disse qual o volume de crédito disponível no Export Credit Garantee Departament (ECGD) para as exportações com destino ao Brasil. Ele também não revelou qual será a nova taxa de juros. Segundo ele, são informações confidenciais. O Reino Unido vinha mantendo superávit no comércio bilateral com o Brasil nos últimos anos. Em 1999, porém, o saldo foi positivo para o Brasil, em US$ 215 milhões. Conforme afirmou Prescott, isso ocorreu em decorrência da desvalorização do real, que provocou aumento nas exportações brasileiras para esse país, e porque os britânicos diminuiram as exportações para o Brasil. Os principais produtos da pauta de exportações brasileiras para o Reino Unido são aviões, calçados e preparação e conservas de carne bovina. Os ingleses exportam para o Brasil, principalmente produtos químicos, aparelhos, motores e partes e peças para automóveis. De acordo com Prescott, foi feito um acordo com o governo brasileiro para que os investimentos sejam mais focalizados. Para isso, disse o ministro inglês, serão realizadas conferências no Brasil e na Inglaterra com o objetivo de direcionar os recursos. Os principais interesses dos ingleses no processo de privatização do governo brasileiro são nas áreas de energia e saneamento, afirmou Prescott. Desde 1991 os ingleses investiram US$ 1,365 bilhão no Brasil, segundo dados do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômicos e Social (BNDES). O ministro britânico elogiou o programa de privatizações brasileiro. Segundo ele, o tratamento que o governo brasileiro tem dado aos ativos públicos coincide com as idéias da Terceira Via, adotada pelo governo inglês, de dividir as demandas públicas com o setor privado. "O governo brasileiro decidiu vender o setor de telecomunicações, que gera grande massa de investimentos, mas resolveu manter o controle sobre o petróleo, que é politicamente estratégico", comparou. Prescott chegou ao Brasil na segunda-feira com uma comitiva de 14 empresários. Ele esteve no Rio, onde encontrou-se com o governador Anthony Garotinho. Em Brasília, ele encontrou-se com o presidente Fernando Henrique Cardoso e vários ministros, com quem tratou, além de comércio e investimentos, de assuntos como meio ambiente e defesa. Amanhã o ministro está em São Paulo e será recebido pelo governador Mário Covas.

mockup