São Paulo, 05 (AE) - Sete meses após a Vasp ter encostado para manutenção um avião MD11 (PP-SPE) nos pátios do Aeroporto Internacional de Cumbica, em São Paulo, a Infraero, empresa de infra-estrutura aeroportuária, vinculada ao comando da Aeronáutica, resolveu pedir para a companhia paulista as autorizações, que deveriam ser previamente acertadas com o Departamento de Aviação Civil (DAC) e, depois, com a própria Infraero.
O documento da Infraero, enviado pelo gerente de operações, Alex Barroso Júnior - datado de 20 de setembro - para Gerardo Martin Hauszler, do departamento de manutenção da Vasp, também procurou saber da companhia, presidida por Wager Canhedo, se o DAC tinha conhecimento do remanejamento de peças dos MD11PP-SPE e PP-SOZ - este encostado em Cumbica desde 5 de maio.
Consultado hoje, o subdepartamento técnico do DAC, que cuida da fiscalização de manutenção dos aviões, informou que a Vasp estava autorizada, desde que as instalações fossem adequadas - em hangar próprio para manutenção pesada. Um dos aviões da Vasp está sem as duas turbinas. Um leasing de um MD11 está cotado no mercado em US$ 500 mil mensais.
A Vasp, assim como outros concorrentes, só tem locais para revisão rápida de aviões. A companhia de Canhedo está construindo um hangar em Guarulhos, que deverá ser maior que o da Varig, no Rio, considerado o centro de excelência em manutenção no Brasil. As obras, no entanto, estão paralisadas.
Pilotos - As condições precárias de trabalho na Vasp já haviam sido denunciadas no boletim interno da Associação de Pilotos da Vasp (Apvasp) de agosto. "A acirrada disputa pela preferência do passageiro e o descontrolado apetite pela maior fatia do mercado impõem novas regras ao jogo", criticou a entidade, no editorial "Certo ou Errado". "A ordem é reduzir os custos e aumentar a produtividade."
Conforme o texto, a ordem, na Vasp, é "gastar menos, voar mais". A Apvasp reclama da falta de peças para reposição, do excesso de horas de vôo dos pilotos e de problemas no esquema de treinamento dos pilotos. Esses problemas, segundo o editorial
levaram à expulsão da entidade o diretor de Operações da empresa. "Não é admissível arriscar vidas em nome do lucro a qualquer custo", alerta o artigo.
O presidente da Federação Nacional dos Aeronautas e Aeroviários (FNAA), Pedro Azambuja, afirmou que a entidade está investigando mais uma denúncia feita pela Apvasp contra a companhia. Ele não quis dar detalhes sobre a acusação.
"Não vamos partir para o denuncismo, temos de averiguar." Ele disse que o setor de segurança de vôo das entidades sindicais da categoria vai participar da apuração.

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