O atual sistema de segurança nos aeroportos do Paraná permite que outros sequestros de avião possam acontecer. Com exceção dos vôos que saem em Curitiba e Foz do Iguaçu, os demais não possuem equipamentos de seguranças que possam detectar armas entre os passageiros. ‘‘Mas ninguém deve ficar preocupado, pelo menos os aeroportos gerenciados pela Infraero são seguros’’, afirmou o superintendente regional João Roberto de Paula.
A Infraero cuida das unidades de São José dos Pinhais, Foz do Iguaçu, Londrina e a pista do Bacacheri, em Curitiba. Porém, o Estado conta com outras 20 campos de pousos de pequenos e médios portes. Para João de Paula, pelo menos os quatros aeroportos sob supervisão do órgão federal têm aparato de segurança compatível com suas classificações. Segundo ele, as unidades de Foz do Iguaçu e São José dos Pinhais, onde aterrissam vôos vindos de outros países, seguem regras internacionais.
Porém o superintendente regional admite que os outros dois aeroportos gerenciados pela Infraero – Londrina e Bacacheri, na Capital – não contam com equipamentos com pórticos e esteiras de raio-x.
De acordo com o superintendente da Infraero em Londrina, Lorival Briana, os aeroportos domésticos são dispensados de dispositivos de segurança. ‘‘A legislação brasileira exige procedimentos de segurança com aparelhagem específica somente em internacionais’’, informou.
Segundo ele, à Infraero cabe fiscalizar o espaço físico dos aeroportos, além de disponibilizar infra-estrutura para seu funcionamento e promover a segurança dos passageiros, mas não policiar.
Transportar dinheiro ou objetos de valor no aeroporto de Londrina exige uma maior mobilização. ‘‘Por razões de segurança solicitamos das autoridades policiais e da empresa transportadora um tratamento diferenciado no embarque e desembarque’’, explicou Briana.
A situação é mais complicada nos aeroportos de médio e pequeno portes, que são gerenciados pelo Estado ou os municípios sede. Por causa do tamanho, 80% desses aeroportos comportam apenas aviões de pequeno porte.
O Aeroporto Municipal de Cascavel não é com nenhum esquema especial de segurança. Por isso, há alguns anos, ocorreram roubos de pequenas aeronaves. Ali, porém, o principal perigo não é falta de equipamentos e sim estrutural. Por erro de posicionamento da pista, as aeronaves recebem o chamado vento de través (lateral), ao aterrisar e decolagem. Nas ocasiões em que estão muito forte, as manobras são de risco – pequenos aviões já chegaram a sair da pista. Ela foi ampliada recentemente, passando a ter 1,6 mil metros de extensão, o que permite a operação de aviões do tipo Fokker 100, para 108 passageiros.
Cindacta O Centro de Comunicação Social da Aeronáutica, em Brasília, informou que o Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego de Avião (Cindacta II), responsável pela região Sul, somente foi comunicado do sequestro no momento que o piloto entrou em contato com a torre do aeroporto de Londrina. De acordo com a assessoria da Aeronaútica, em nenhum momento foi acionado o código de interferência ilícita (espécie de sinal de alerta), que identifica quando a aeronave é sequestrada.
Também o Centro de Comunicação Social da Aeronaútica informou que o Boeing da Vasp esteve sem comunicação durante 10 minutos. Mas, da acordo com os militares, o avião estava sob monitoramento. (Participaram Maranúbia Barbosa, de Londrina, e Paulo Pegoraro, de Cascavel)

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