Informe de 1999 afirma que "a dívida tem cara de criança"
Nações Unidas, 21 (AE-ANSA) - O informe do Fundo da ONU para a Infância (UNICEF) informou que durante quase duas décadas a crise da dívida teve repercussões devastadoras sobre alguns dos países mais pobres do mundo, freando seu crescimento econômico e desviando recursos que deveriam ser utilizados para a saúde, a educação e outros serviços essenciais.
O estudo "O Progresso das Nações 1999" destaca no artigo "A dívida tem cara de criança" que a maior parte do peso da dívida externa "recai sobre as mentes e os corpos das crianças, matando algumas e atrofiando outras de tal maneira que estas nunca podem desenvolver-se plenamente".
A dívida os priva da vacinação contra enfermidades que, apesar de fatais, podem ser prevenidas com facilidade; condena as crianças a uma vida sem educação ou - no caso dos que podem ir à escola - a estudar em salas sem teto, mesas, cadeiras nem livros e, às vezes, até lápis.
Ainda segundo o relatório, as crianças ficam órfãs, pois centenas de milhares de mães morrem anualmente quando dão à luz como resultado de insuficiências no atendimento à saúde e na prestação de outros serviços, perpetuadas pela pobreza.
A UNICEF atribui grande parte da responsabilidade aos governos dos países em desenvolvimento por favorecerem as minorias privilegiadas em detrimento dos pobres. "Mas devido às condições da dívida, é difícil para muitos reestruturar seus orçamentos para priorizar questões relativas às crianças, apesar da intenção de fazê-lo", expressou a UNICEF.
A entidade reconhece que "mesmo quando os governos aprovam tais mudanças, a cobrança da dívida externa praticamente imposibilita seu êxito".
Aids - Os adolescentes de Brasil e Haiti estão entre os mais ameaçados pela vírus da aids na América Latina, segundo o informe da UNICEF.
A UNICEF informou que o avanço dos medicamentos antiviróticos nos países industrializados criou a impressão de que o pior da epidemia já passou. "Mas nada está mais próximo da realidade nos países em desenvolvimento, onde a epidemia voraz e silenciosamente destrói os progressos alcançados na questão da saúde pública e do desenvolvimento econômico nos últimos 20 anos", conclui o informe.





