Rio, 02 (AE) - A Unidade de Política Econômica (PEC) da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) defendeu a renegociação do acordo do Brasil com o FMI no boletim "Informe Conjuntural", divulgado hoje. Na análise da PEC, a renegociação consolidaria o apoio externo para que o País atravesse a fase de turbulência iniciada com a liberação do câmbio. "O fato de dispor de reservas dá ao Banco Central (BC) maior liberdade para normalizar pagamentos internacionais", lembram os economistas da entidade no documento.
Os economistas da CNI também afirmam que a liberação do câmbio aponta para uma "insustentabilidade da trajetória do endividamento público" por causa de seu valor alto e sua forma de remuneração, com juros flutuantes e correção pela cotação do dólar. A mudança cambial torna mais necessária ainda as reformas fiscais, para neutralizar o impacto da desvalorização nos gastos do governo e dar um sinal aos investidores do compromisso do Brasil com a estabilidade econômica.
A desvalorização do real acentua a retração da atividade econômica a curto prazo, de acordo com o boletim. O fenômeno vai ser uma consequência não só da necessidade de compensar o impacto inflacionário da desvalorização do real, mas da "turbulência" provocada pela mudança do regime de câmbio. De acordo com a PEC, a mudança provoca " uma virtual paralisação dos negócios".
Preços - O impacto da desvalorização sobre os preços ainda está incerto, de acordo com os economistas da CNI. A atual estrutura econômica, de acordo com a PEC, leva à previsão de grande repasse direto da desvalorização para os preços de produtos agrícolas e em várias cadeias de produção da indústria. "Mas não se deve estimar um impacto muito significativo para o conjunto dos preços industriais", ressalva o boletim.
Os economistas da CNI afirmam que, além do percentual de desvalorização, também é importante o tempo que vai se levar para que a cotação do real seja normalizada. "Um prolongamento da atual situação de incerteza, com altas da cotação do dólar, pode dificultar a determinação dos preços nominais da economia, interrompendo temporariamente os contratos de fornecimento entre os setores e estimulando a cotação de preços em dólares ou a demanda de implementação de mecanismos de indexação", alertam.
O governo federal deve realizar novos cortes de gastos, e os Estados e municípios têm de aumentar sua austeridade, para que o cumprimento da meta de déficit nominal acertada com o FMI, segundo "Informe Conjuntural". O boletim lembra que governo comprometeu-se com um resultado de R$ 42,5 bilhões, ou de 4,8% do Produto Interno Bruto (PIB), como déficit nominal (diferença dos gastos e arrecadação do governo que inclui correção pela inflação e despesas financeiras). Esse objetivo vai ser comprometido pelo impacto da desvalorização do real diante da dívida líquida do setor público, segundo a CNI.

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