Informática traz novo alento a menores carentes de Maringá
Marcos Zanatta
De Maringá
Uma sala no subsolo do obelisco do Centro de Convivência Comunitário de Maringá, com cinco microcomputadores, está conseguindo mudar o comportamento de adolescentes da cidade. O projeto Espaço da Informática, uma parceria do Provopar com a Universidade Estadual de Maringá (UEM), atende 60 estudantes, todos muito carentes, e alguns que enfrentavam situação de risco.
São menores de cinco instituições que já frequentam outras atividades que incentivam a formação pessoal, mas a maior parte deles gosta mesmo das aulas de informática. Os que não querem ficar o tempo todo na frente do computador podem ler, participar de jogos ou desenhos, mas são poucos, diz o professor Adriano Rodrigues Ruiz, coordenador do projeto.
A principal preocupação é alfabetizar, mesmo os adolescentes, muitos deles fora da escola desde criança. Utilizamos a linguagem Logo, que é educacional e transmite uma boa base aos jovens, explica Ruiz. Porém, o objetivo, a médio prazo, é pôr os adolescentes em contato com a informática. A informática passa a ser um modo deles se sentirem capazes de aprender e fazer algo, diz.
Os menores com mais problemas sociais, como os atendidos na Escola de Recuperação de Adolescentes (ERA) e no projeto Formando Cidadão, da Polícia Militar, são os mais interessados. Eles gostam de desafios, de aprender e pôr a criatividade para funcionar, diz o professor Ruiz. Os monitores sentem o desenvolvimento dos jovens integrados ao projeto de informática. A partir do início do curso eles mudam o comportamento e no decorrer do aprendizado melhoram a auto-estima.
A assistente social Maria Eloiza Ferreira, do projeto Formando Cidadão, também destaca o impacto psicológico da informática para os adolescentes. Eles sentem que podem ter atividades até agora restritas a crianças de outras classes sociais, explica. Outro fator positivo, segundo ela, é que o trabalho nos computadores mostra aos adolescentes que eles são capazes de vencer desafios.
Mesmo trabalhando na linguagem Logos, que é considerada fácil, existem barreiras a serem vencidas e os meninos adoram os desafios, conta Maria Eloiza. Alguns dos meninos do projeto, que já trabalhavam como servente de pedreiro ou catador de papel, acreditam que a informática é uma oportunidade para mudar de vida.
Jim David, 13 anos, diz que as aulas de informática está lhe ajudando na escola. E acho que vai me ajudar muito também no futuro, acredita. David participa do projeto Formando Cidadão e pretende ser policial pelo que está aprendendo dentro do quartel. Acho que a informática vai ser importante para meu futuro, afirma.
Rafael, 14 anos, gosta das aulas porque desenvolve a capacidade de pensar. Ele disse que entre todas as atividades do projeto, menos do esporte, a informática é a que mais lhe chama a atenção. Quero ser técnico em informática para trabalhar com computadores, revela.
Os adolescentes frequentam o Espaço da informática uma vez por semana, em aulas que duram em média duas horas. Quando a gente não vem eles ficam cobrando, conta Maria Eloiza. Na parede da sala, os alunos fixam cartazes que fazem nas entidades onde são atendidos. Quase todos falam em futuro.
Graziela, 10 anos, escreveu que estar ali era melhor que nas ruas. Nada como a liberdade, escreveu Marcelo, interno do ERA. Débora, pede para que os outros participantes do espaço cuidem dos computadores.





