Informante denunciará juiz por receber dinheiro para liberar traficante
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domingo, 09 de abril de 2000
Por Vera Freire, Marcelo Godoy e Bruno Paes Manso 
São Paulo, 10 (AE) - Um informante que usa o codinome de "Antonio de Jesus" é a testemunha-bomba da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara dos Deputados em São Paulo. Ele vai denunciar um juiz paulista, da área criminal, que teria recebido dinheiro de um traficante condenado há dez anos, mas que conseguiu a liberdade cumprindo apenas seis meses de prisão. "É um juiz que atua num setor chave da polícia", afirmou o sub-relator da comissão, deputado Celso Russomanno (PPB-SP). "Ele usou o tráfico de influência para conseguir a liberdade do traficante."
Segundo o deputado, o pagamento ao juiz foi efetuado por um irmão do traficante. A data do depoimento do informante ainda não foi marcada, mas está definido que a denúncia contra o juiz será feita a portas fechadas. A CPI inicia hoje os trabalhos na Assembléia Legislativa de São Paulo, que se estenderão até a sexta-feira (14).
Devem ser ouvidas 50 pessoas, das quais 25 são policiais. O superintendente da Receita Federal de São Paulo, Flávio Del Comuni, comparecerá à CPI às 9 horas de quinta-feira (13). Os deputados querem esclarecimentos sobre a entrada ilegal de armas no Estado. Comuni não quis comentar a convocação. A CPI vai apurar casos de Marília, Ribeirão Petro e Atibaia, no interior de São Paulo, São José dos Campos, no Vale do Paraíba (SP), Santos e capital paulista. O médico legista Fortunato Badan Palhares, que deveria ser ouvido em São Paulo, prestará depoimento somente quando a CPI retornar a Alagoas.
Na Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo, a ordem é manter o silêncio, evitando polêmicas com os integrantes da CPI. A reportagem perguntou a um assessor do secretário Marco Vinício Petrelluzzi se havia sido adotada a estratégia do silêncio para evitar que o maior problema do governo Mário Covas (PSDB) - segurança - ficasse ainda mais em evidência. A resposta foi um simples: "Perfeitamente." O assessor pediu para não ser identificado.
Até mesmo Covas, que costuma responder a todos os ataques que lhe são feitos, parece também ter adotado a mesma estratégia. Embora Russomano tenha dito que a polícia paulista não trabalha porque o governador não gosta dela, a assessoria infomou que Covas não comentaria as declarações. O governo deixou claro, nos últimos dias, que adotou a estratégia de não fazer pré-julgamento dos policiais sob investigação e que só os afastará com provas concretas.
A Corregedoria da Polícia Civil está aguardando os novos depoimentos da CPI do Narcotráfico para continuar a apuração contra os policiais civis citados pelo informante "Laércio da Cunha". "Já ouvimos os depoimentos dos policiais e temos uma cópia do depoimento do informante", disse o diretor do órgão, o delegado Ruy Estanislau Silveira Melo. De acordo com Melo, apenas um dos policiais acusados pelo informante ainda não foi identificado.
Uma equipe do setor operacional da Corregedoria foi destacada para apoiar o trabalho dos deputados. A Secretaria da Segurança Pública designou o assessor especial Fábio Benini para acompanhar os trabalhos da comissão.
O delegado Marcelo Teixeira Lima, da Delegacia de Roubo de Cargas do Depatri, não foi localizado hoje em seu trabalho. Ele e outros policiais do Depatri foram convocados pela CPI para depor, após terem sido acusados pelo informante. Seu chefe, o delegado Federico Vecentine também não foi localizado na delegacia - estava participando de uma investigação, segundo seus subordinados.


