Informalidade derruba IDHM em Tamarana
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quarta-feira, 07 de agosto de 2013
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Tamarana - Apesar do clima pacato e dos poucos mais de 12 mil habitantes, Tamarana (Região Metropolitana de Londrina) apresenta desempenho preocupante no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) 2010, divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O estudo leva em conta três fatores: longevidade, renda e educação.
Dos 399 municípios do Estado, Tamarana surge na 387ª posição no ranking, com índice de desenvolvimento "médio" (0.6210). Quanto mais próximo de 1, maior o índice. O resultado é o pior entre os 18 municípios da Região Metropolitana de Londrina.
O prefeito Paulino de Souza (PMDB), que se revelou "surpreso" com os números. Emancipada de Londrina em 1995, Tamarana ainda enfrenta dificuldade para oferecer serviços públicos de qualidade. O único hospital da cidade atende também pacientes de Ortigueira, Mauá da Serra, Marilândia do Sul e Califórnia e dos distritos de Guaravera e Lerroville.
Outro problema é que quase metade da população cerca de 5 mil pessoas - vive na zona rural, representada principalmente por índios (10%) das reservas Apucaraninha e Água Branca e pelos 19 assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e Banco da Terra. Essa situação gera muita informalidade nas áreas de renda/trabalho e educação.
Segundo a secretária municipal de Educação, Rosilda Vanderlei Caetano, durante dois anos os indígenas da aldeia Água Branca não frequentaram aulas devido uma "rivalidade" com os moradores da reserva Apucaraninha, onde há uma escola indígena. "Neste ano foi disponibilizado um ônibus escolar para transportar esses alunos até uma escola municipal no assentamento Água da Prata. Eles não poderiam mais ficar sem estudos", observa.
Tamarana conta com duas escolas rurais, uma municipal e uma estadual, além de um Centro Municipal de Educação Infantil e uma creche filantrópica. Para o morador Caio Batista, essa é uma questão que precisa ser melhorada. "Desde que me mudei para cá, há quatro anos, não consigo vaga na creche para minha filha e por isso tenho que pagar uma escolinha particular. É um absurdo", alfineta.
Para Carlos César Gonçalves, as estradas rurais de acesso ao município também devem receber mais atenção. "Recebi o boletim da minha filha e estava cheio de faltas. Fomos conversar com a professora porque no último período de chuvas o ônibus não chegava até os sítios já que as estradas estão péssimas. Eu fiquei indignado", diz.
De acordo com o prefeito, o parque de máquinas deve ganhar novos equipamentos em breve e um projeto está em andamento para cascalhar as estradas. Porém, ele não citou prazos. Em relação às escolas, Paulino adianta que a obra de uma escola municipal no Jardim Juny, que está paralisada, deve ser retomada neste ano. "Pretendemos colocá-la em funcionamento até 2014. Além disso, temos projetos de construção de uma CMEI, mas aguardamos a liberação de recursos do governo federal."
Na geração de renda, o prefeito aponta a falta de investimentos federais como a principal dificuldade. Por isso, aponta, "é preciso atrair grandes indústrias para Tamarana", mas ele admite "não ter condições de negociar com o empresariado, pois não conta com uma área para instalação e nem mesmo para construção de casas populares".
No entanto, Paulino afirma que há previsão para instalação de uma indústria que irá gerar 300 empregos diretos, mas ainda há processos a serem resolvidos. "É uma série de fatores, como, por exemplo, licença ambiental. Estamos em luta também para conseguir entrar na divisão em condomínio da arrecadação do ICMS de uma indústria papeleira em Ortigueira. Os municípios contemplados foram avaliados pelos índices de IDHM, mas eu não entendo por que Tamarana não foi incluída", questiona o prefeito, ao afirmar que está se programando para conversar em breve com o governador Beto Richa para apresentar os indicativos e buscar melhorias.
Enquanto não há grande oferta de empregos, a maioria da população tamaranense atua de forma informal, principalmente em propriedades rurais.


