Informações em embalagens de alimentos enganam consumidor
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quinta-feira, 25 de maio de 2006
Emilio Santanna<br>Agência Estado 
São Paulo - No rótulo do suco de laranja está escrito ''100% suco natural'', mas basta uma rápida olhada na tabela de composição nutricional para notar a presença de conservantes não tão naturais assim. A embalagem da hortaliça vem com um selo de qualidade de um instituto ambiental atestando a ausência de agrotóxicos, mas o tal instituto é mantido pelo próprio produtor.
Esses são casos em que o consumidor pode ser levado a comprar um produto influenciado por informações enganosas. Foi o que constatou uma pesquisa feita pelo Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição (Opsan), da Universidade de Brasília (UnB). O estudo revela que dados enganosos ou, pior, falsos, são comuns nas embalagens de alimentos e bebidas.
A equipe do Opsan, comandada pelas pesquisadoras Naíra Domingos e Janine Giubert, analisou 1.789 produtos. Durante seis meses elas percorreram os supermercados de Brasília analisando todas as marcas disponíveis na cidade.
Dos produtos, 12% apresentaram informações que induzem o consumidor a erro, como a afirmação de ausência de açúcar em produtos que têm mel. Isso traria os mesmos efeitos para uma pessoa diabética. Outros 7% apresentaram informações falsas, como as gelatinas em pó com fotos de frutas na embalagem, mas sem traço delas, a não ser no nome.
Liderando o ranking da desinformação estão as hortaliças. Mensagens falsas foram encontradas em 43% dos produtos analisados, e outros 43% apresentam informações que induzem ao erro. ''O melhor é ler a tabela nutricional e comparar para ter certeza do que se está comprando'', diz Naira.
Para minimizar as interpretações subjetivas, as pesquisadoras formaram grupos de nutricionistas e estabeleceram os critérios utilizados nas análises. Um dos aspectos destacados por Naíra é o nível educacional dos consumidores. ''O rótulo pode ser enganoso para mim, mas verdadeiro para outras pessoas.''
Chama a atenção na pesquisa do Opsan o fato de os problemas com os rótulos serem encontrados em quase todos os grupos de alimentos. Foram constatados problemas em cereais, verduras e legumes, frutas e sucos, leites e derivados, carnes e ovos, leguminosas secas, óleos e gorduras e guloseimas. Grandes fabricantes ou pequenos apresentam erros, sem distinção.
As reclamações sobre a questão no Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) não são frequentes. Mas, quando o instituto vai a campo por conta própria, em 20% de suas análises o problema é constatado.
Mensagens do tipo ''100% natural'' e ''não contém conservantes'' devem ser interpretadas com cautela pelo consumidor. Muitas vezes a verdade contida nelas é apenas uma questão de semântica. ''A empresa coloca no rótulo que o produto não contém conservantes, mas olhando com atenção você percebe que tem antioxidantes que, na prática, atuam como conservantes'', afirma Murilo Diversi, técnico em alimentos do Idec. ''Isso é ilegal e lesivo ao consumidor.''


