Reforçar a auto-estima é um desafio para portadores de esclerose múltipla. Isto porque a doença progressiva, de difícil diagnóstico, pode afetar a capacidade produtiva do portador.
A enfermeira Lílian Mainardes, da Schering do Brasil, que esteve em Londrina ministrando uma palestra sobre o tema, defende a informação como a melhor arma contra o preconceito. Ela participa de um programa da empresa que, desde 2000, tem por objetivo difundir informações sobre a doença, aumentando o conhecimento sobre o tema e estimulando o diagnóstico precoce.
A esclerose múltipla, explica, é uma doença de causas ainda desconhecidas, mas com mais incidência nos trópicos. O mal afeta a bainha de mielina, um revestimento rico em gorduras que envolve as terminações dos neurônios. Por causa desse dano na mielina, o trabalho do neurônio, que é responsável por transmitir informações do cérebro aos órgãos, é prejudicado. O que acontece então é que a transmissão dos impulsos elétricos nervosos (informações), é feita com atraso ou totalmente bloqueada.
Dependendo das informações bloqueadas ou atrasadas, há degeneração de funções como a coordenação motora, a visão, a fala, o controle da bexiga ou dos intestinos. ''Os sintomas variam dependendo do órgão que é afetado. A manifestação da doença difere de pessoa para pessoa e pode sofrer variações no mesmo indivíduo de acordo com o momento'', explica, acrescentando que os sintomas se manifestam em determinados períodos, conhecidos por ''surtos'', que podem durar várias semanas.
Apesar de não haver cura, o diagnóstico precoce é importante para que a pessoa inicie logo o tratamento. A doença não é fatal, mas pode haver agravamento dos sintomas. ''Como são sintomas variados, que se confundem com outras doenças, alguns pacientes passam por vários especialistas, até descobrir que tem esclerose múltipla'', afirma.
Lílian explica que há medicamentos que protegem a bainha de mielina, amenizando os sintomas e evitando novos surtos. ''O tratamento também vai evitar que a pessoa tenha um surto irreversível. Com a doença mais avançada, é comum as pessoas sentirem muita fadiga, o que dificulta trabalhar'', alerta. Além dos medicamentos, uma possibilidade de controle da doença, que vem sendo estudada desde o ano passado, é o transplante de células-tronco da própria medula.
A doença afeta principalmente pessoas jovens, com idade entre 20 e 40 anos. E também as mulheres, na proporção de três para cada homem. No mundo, estima-se que existam entre 1 milhão e 2,5 milhões de portadores de esclerose múltipla. No Brasil, a estimativa é que 15 mil pessoas sejam afetadas pela doença.
Em Londrina, a Associação Londrinense dos Portadores de Esclerose Múltipla (ALPEM), também trabalha para levar informação aos portadores da doença e familiares. Segundo a presidente da entidade, Célia de Bernal Martins, cerca de 150 associados de toda região Norte do Estado participam das reuniões mensais.

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