Influência na qualidade de vida

A empresária Zely Teresa Loss chegou a Londrina há 20 anos e, desde então, sempre faz escolhas sobre onde morar pautada pela tentativa de reduzir o tempo de deslocamento. "Assim que me mudei, não conhecia nada da cidade e escolhi morar na Rua Belo Horizonte porque era central", conta.
Quando os filhos hoje adultos passaram a frequentar uma escola na avenida Duque de Caxias, perto da prefeitura, a família se mudou para a região. "A escola e o clube eram próximos de casa e a gente só andava a pé. Eu sempre preferi limitar o uso do carro", reforça ela, que diante das novas necessidades de locomoção dos filhos, quando chegaram à faculdade, decidiu voltar para o Centro. "Eles começaram a estudar na UEL e precisavam pegar ônibus com facilidade", recorda Zely, que então retornou à região central.
Há 11 anos, também abriu um café perto do Bosque, o que aumentou a necessidade de morar na região. "Venho ao trabalho de carro porque preciso trazer muita coisa, mas chego em cinco minutos. É muito tranquilo", diz. Mesmo quando decidiu viver em um edifício com área de lazer mais completa, com piscina e academia, ela procurou uma opção na região central. "Eu e meu marido preferimos resolver as coisas a pé. O lugar onde moramos influencia a qualidade de vida", diz.
A filha de Zely atualmente mora em Curitiba e ainda não tem carro, por isso, aprendeu rapidamente a usar o transporte coletivo. "Quando vamos visitá-la, muitas vezes deixamos o carro na garagem e fazemos passeios de ônibus, porque é muito tranquilo", elogia.
Na contramão de Zely, quando decidiu mudar para o bairro Santana, em um condomínio horizontal atrás do shopping Catuaí, a dentista Denise Morishita levava 15 minutos para ir do consultório - no Centro da cidade - até a residência. Uma década depois, os endereços de casa e do trabalho permanecem os mesmos, mas o tempo gasto nos deslocamentos dobrou. "O problema são os congestionamentos", avalia ela, que tem dois filhos de 9 e 12 anos e faz quatro viagens diárias para atender os pacientes e também acompanhar as atividades dos filhos. Para manter a qualidade de vida, ela inclusive abriu mão de atender os pacientes no período da tarde. "Se o trânsito fosse melhor, eu talvez conseguisse conciliar", acredita.
Denise já adotou várias alternativas para promover a mobilidade da família, desde a contratação de táxis de confiança até adoção do transporte coletivo pelos filhos acompanhados por uma funcionária. Hoje, ela centraliza as viagens e sofre no trânsito parado. "Como não dá para aumentar as ruas, precisa diminuir o volume de carros", acredita. (C.A.)





