Para uns mais, para outros, menos. Não há como negar a influência da família na vida de cada um. Essa importância não se reflete apenas na educação e nos hábitos, mas na maneira como ''enxergamos'' o mundo, fazemos nossas escolhas e construímos nossa história. É com essa visão, de que conflitos e bloqueios podem ter origem na organização da família, que atua um método de psicoterapia chamado constelação familiar. Em Londrina, a psicóloga Margareth Alves, especialista também em terapia familiar sistêmica e corporal, utiliza o método.
Constelação, segundo definição do dicionário da Academia Brasileira de Letras, é conjunto de estrelas que forma uma figura, mas também pode ser entendido por grupo de pessoas importantes e notáveis. Transpondo a definição para a metodologia, a família bem poderia ser entendida como pessoas importantes e notáveis da nossa vida que, de alguma maneira, formam uma constelação.
Nesse esquema, cada um exerce não apenas um, mas vários papéis - uma hora se é filha, outra mãe, esposa, irmã e assim por diante. Em cada papel agimos (e reagimos) de uma maneira, e como toda essa constelação está emaranhada não podemos ser vistos apenas como indivíduos isolados, mas frutos dessas relações.
O que essa terapia promove, segundo Margareth, é a possibilidade de enxergar essa teia de relações, e o principal - se enxergar nela, com todas as proximidades, distanciamentos e bloqueios que dela resultam, que influenciam e atrapalham nossa vida profissional, os relacionamentos afetivos e nossas escolhas.
Constelar, como é chamada uma dessas sessões, feitas geralmente em grupo, começa com a escolha de um dos participantes para representar quem ''constela'' e de outros para representar seus familiares. ''Nesse contexto ninguém é bom, mau, vilão ou vítima, mas todos têm responsabilidade'', ressalta a psicóloga. O ponto de partida é a queixa de quem vai constelar, algo da realidade que se vive hoje, como a dificuldade de manter um relacionamento duradouro ou de ter sucesso no trabalho.
Não há roteiro - a cena vai se formando a partir da escolha dos participantes. ''Em uma postura fenomenológica, quem participa realmente assume o lugar de quem representa'', ressalta. Nesse contexto não é preciso nem mesmo falar - a postura do corpo, a respiração, as proximidades e os distanciamentos ''dizem'' muito mais e fazem aflorar as emoções de quem vê a si mesmo de uma perspectiva mais ampla.
Margareth cita um caso típico de alguém na família que foi excluído - ''um tio alcóolatra que fazia coisas erradas''. ''Outra pessoa da família pode inconscientemente, em um movimento de repetição, assumir o lugar daquele tio. Quando se traz de volta esse membro excluído, naquela pessoa do grupo que a representa, quem repete o comportamento se liberta e pode viver sua própria vida'', explica.
Repetir um comportamento que não se aceita nos pais é muito comum, segundo a psicóloga, mas é preciso ver que isso acontece para poder mudar. ''Só quando você olha para a própria história e vê que está fazendo o mesmo, consegue romper o padrão. Isso acontece porque é possível aceitar as limitações do pai, por exemplo, ausente, que trabalha demais e não se importa com a família, e pedir licença para fazer diferente'', relata.
Outro exemplo é o da mulher que sofria de uma depressão que não conseguia curar. Na investigação da sua história veio à tona o relato de vários abortos espontâneos. Na constelação, esses bebês representados puderam ser vistos e acolhidos como parte da família, e a mãe consegue, enfim, se livrar da culpa e ficar em paz. ''O impacto vai além da conscientização, mas da pessoa realmente assumir uma postura diferente. É libertador'', diz.
Serviço: (43) 3328-3990

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