Brasília, 15 (AE) - A maior preocupação do governo, a três dias do último turno de votação da proposta que reinstitui e aumenta a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), é com a influência do governador mineiro Itamar Franco (PMDB) sobre parte da bancada mineira. Ele pediu que os deputados só votem a CPMF se o Palácio do Planalto der fim às sanções impostas a Minas Gerais. Hoje, o presidente Fernando Henrique Cardoso conversou por duas horas com o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), indicado pela bancada para buscar um entendimento junto ao governo federal para a questão de Minas.
Depois de levar o apoio do PMDB à votação da CPMF, Geddel deixou o encontro com tom enigmático e informando que participaria ainda de "conversas técnicas" com o governo, mas insistiu que o presidente quer uma solução. "As portas do Palácio da Alvorada e do Planalto estão abertas ao governo de Minas e ao diálogo", disse mais tarde o porta-voz do presidente
embaixador Sérgio Amaral. Orientados pelo Planalto, os governistas se armam para desarticular o movimento de deputados mineiros iniciado na visita de Itamar Franco à Câmara, que pode obstruir os esforços no governo na condução das negociações no exterior. "A notícia de uma ameaça à votação da CPMF faz um barulho danado lá fora", observou um interlocutor governista.
Itamar Franco conseguiu tirar seis votos do governo na votação em primeiro turno da CPMF. O perigo é maior, agora, porque o governador conseguiu inflamar mais deputados na semana passada, mas os aliados do governo no PMDB não apostam muito. "A dissidência não passará de 15 deputados", afirmou o vice-líder do PMDB, Darcísio Perondi (PMDB-RS).
O líder do PMDB reúne sua bancada na Câmara na quarta-feira (17), às 10h, para discutir o fim do embargo federal a Minas Gerais e o encontro entre as equipes técnicas do governo federal e o mineiro. Mas Geddel já avisou que não colocará o tema CPMF na pauta da reunião. "O PMDB não vai discutir novamente se vota contra ou a favor da CPMF, já decidiu votar a favor e o presidente tem nossa palavra", repetiu ele.
Enquanto o governo tenta dissolver a pequena rebelião do PMDB, o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), reúne-se amanhã (16) com o líder do governo, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP), e o líder do PT, deputado José Genoíno (SP), para chegar a um consenso sobre a data de votação do segundo turno.
O líder do PT sustenta que o regimento não permite votação antes de quinta-feira. Já o líder do governo diz que, do seu ponto de vista, a votação pode acontecer na noite de quarta-feira. "Eu jamais concordaria em fazer um acordo com o governo para quebrar uma regra do regimento", ressaltou Genoíno.
Madeira alega que não fará "nenhum "cavalo de batalha" sobre a data. Mas sua pressa se explica com o calendário traçado pela equipe econômica para iniciar a cobrança da CPMF em 1º de julho. Como não estão previstas muitas votações neste segundo turno da emenda da CPMF, os líderes governistas estimam que, depois de contados todos os prazos regimentais restantes, a votação da redação final da emenda poderá ocorrer no dia 31. Será quarta-feira da Semana Santa, mas como essa última votação exige quórum de apenas maioria simples, a liderança do governo está otimista.

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