Inflexibilidade da China impede FHC de receber líder em Brasília
Isabel Braga e
Tânia Monteiro
Agência Estado
O presidente Fernando Henrique Cardoso, assim como os ministros do governo, não terá nenhum contato pessoal com o líder budista religioso, Dalai Lama Tenzin Gyatso, por recomendação do Ministério das Relações Exteriores (MRE) brasileiro. O líder budista, expulso do Tibet depois da ocupação pela China, estará hoje, pela primeira vez, em Brasília.
Segundo explicação da assessoria de imprensa do Itamaraty, a decisão de evitar contatos oficiais do governo brasileiro com o líder budista foi adotada porque o Brasil mantém relações diplomáticas com a China e não reconhece no Tibet a qualidade de Estado ou entidade internacional. O Brasil considera a questão tibetana como questão interna da China, informou ontem um funcionário da Assessoria de Imprensa do MRE. Para o Itamaraty, a visita do Dalai Lama é particular e os contatos devem ser restritos a pessoas da sociedade brasileira.
O ministro de Esporte e Turismo, Rafael Greca, atendeu ao apelo verbal do Itamaraty e assistiu por TV a cabo a visita do líder budista a Curitiba, anteontem à noite. O Itamaraty recomendou que nós mantivéssemos a visita num nível espiritual por causa das nossas relações com a China, explicou Greca. O que eu mais gostei foi quando o Dalai Lama falou que as crianças precisam ter coração bom e não só aprender a calcular.
Hoje o líder será condecorado, pela Universidade de Brasília (UnB), com o título de doutor honoris causa e depois deverá ser recebido pelas lideranças políticas no Congresso. Fontes diplomáticas explicaram ontem que, politicamente, encontros oficiais com o líder budista poderiam prejudicar as relações diplomáticas entre Brasil e China.
A China adota uma posição muito inflexível em questões de soberania, trata tanto o Tibet, quanto Taiwan como suas províncias e não aceita que países com os quais mantém relações diplomáticas se pronunciem publicamente sobre a independência e autonomia desses dois países, ponderou um embaixador brasileiro.





