São Paulo, 24 (AE)- O ministro da Fazenda, Pedro Malan, em discurso ontem à noite no evento de premiação da Revista "Melhores e Maiores", apresentou estimativas de indicadores econômicos para este ano. Ele afirmou que consultorias têm trabalhado com expectativa de inflação de 6% para este ano, contra 16% no início de 1999. O ministro afirmou que o PIB (Produto Interno Bruto) deve ser nulo ou cair 1% este ano, contra uma estimativa no início do ano de recessão com queda de 4% no PIB. Malan disse ainda que o governo trabalha com inflação sob controle e elevação de 4% no Produto Interno Bruto no ano 2000.
Balança - Segundo Malan, haverá uma reversão de US$ 10 bilhões nos resultados da balança comercial no período 1998/1999. Isso significa que o governo está trabalhando agora com superávit (saldo positivo) de US$ 4 bilhões este ano, que compensará os US$ 6 bilhões de déficit (saldo negativo) no ano passado. A meta de superávit do governo no início do ano era de US$ 11 bilhões.
Investimento - O ministro da Fazenda afirma que o Brasil está entre os cinco países de maior atratividade de investimentos externos do mundo. Segundo ele, os investimentos externos atingiram em 1999 até agora US$ 12 bilhões. O ritmo de investimentos estrangeiros é crescente passando de uma média anual de US$ 1 bilhão no período 1990-93, para US$ 10 bilhões em 1996; US$ 17 bilhões em 1997 e US$ 26 bilhões em 1998.
Juros - O presidente da Sadia, Luiz Fernando Furlan, afirmou que a baixa dos juros básicos da economia de 22% para 21% demonstra que a tendência é de uma redução mensal de um ponto percentual devendo chegar a 15% até o final do ano. Ele acredita que a tendência é dos juros reais chegarem a 9% até o final do ano para uma inflação de 6% em 1999. "O importante é que há uma sinalização consistente de queda nos juros", afirma o empresário. Furlan afirma que a meta governamental de superávit de US$ 4 bilhões prevista pelo ministro Pedro Malan é factível. Segundo ele, é necessário zerar o déficit (saldo negativo) neste mês e produzir superávits mensais de US$ 700 milhões até o final do ano. O superávit de US$ 4 bilhões se atingido estará longe no entanto da meta do início de ano de se conseguir um superávit de US$ 11 bilhões em 1999.
Para Furlan, o aumento nas tarifas de eletricidade e combustível demonstra que existe uma inércia estatal de repasse de custos para preços. Segundo ele, é preciso diminuir o tamanho do Estado na economia para que o país volte a crescer. Ele observa que o setor privado tem reduzido custos e mostrado ser competitivo, o que "não vem acontecendo com o setor estatal". Ele observa que o transporte corresponde a 30% do custo final de matérias-primas como milho e soja. "Um aumento de 10% no preço dos combustíveis resultará em aumento de 3% a 4% nos preços das matérias-primas", diz Furlan. O empresário afirma que dificilmente haverá repasse para os preços devido a retração do consumo. "As empresas deverão procurar aumentar a produtividade
realizar ganhos na logística e no processo produtivo, evitando tentar repassar para preços".

mockup