Inflação sofrerá alteração por conta dos combustíveis
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quinta-feira, 24 de junho de 1999
Por Renato Andrade 
Belo Horizonte, 25 (AE) - Os índices inflacionários devem sofrer um forte impacto a partir de julho em decorrência do segundo reajuste de preços dos combustíveis. Segundo cálculos do diretor do Instituto de Pesquisas Econômicas e Administrativas (IPEAD) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o economista Wanderley Ramalho, caso o aumento fique realmente em torno de 15%, o impacto, somente deste item, será de 0,50 ponto percentual nos indicadores de inflação do próximo mês.
"Só esta variação corresponde a toda a inflação registrada em maio", avalia o economista. O Ipead divulgou hoje a variação do IPCA e IPCR na terceira quadrissemana de junho. O IPCA, índice que mede a evolução dos gastos das famílias que vivem na região metropolitana de Belo Horizonte com renda entre 1 e 40 salários mínimos, registrou uma variação de 0,33% neste período, contra uma variação de 0,43% registrada na segunda prévia. As maiores altas registradas nesta terceira quadrissemana foram dos preços de vestuário e calçados (1,28%) e dos serviços públicos (2%), puxados principalmente pelos aumentos nos preços das tarifas de energia elétrica residencial e do transporte urbano.
O IPCR, que mede a evolução dos gastos de famílias mais pobres - com renda entre 1 e 8 salários mínimos - registrou uma variação de 0,25% no mesmo período, o que significou um recuo de 0,14 ponto percentual em relação à variação apurada na segunda prévia de junho. Os dois índices medem a inflação na capital mineira. Apesar desta variação mais forte prevista para o mês de julho, o economista Wanderley Ramalho não acredita que haverá uma disparada de preços no segundo semestre do ano. "Ainda acreditamos que a inflação deste ano ficará abaixo dos 10%", avalia.


