Inflação sobe mais que o previsto nos EUA
Washington, 13 (AE-AP) - Os preços de atacado nos EUA tiveram aumento de 1% em março, liderados pelo maior salto do custo de energia registrado em cerca de 10 anos.
O avanço do Índice de Preços do Produtor, do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos, que avalia as pressões inflacionárias antes que estas cheguem ao consumidor, mostrou que a inflação teve aumento superior à taxa de 0,5% prevista por muitos analistas. O aumento, divulgado hoje, deveu-se à grande elevação dos preços da energia, a mais acentuada desde outubro de 1990, quando foi registrado o aumento de 7,5%.
Mas excetuando-se as categorias voláteis de energia e alimentos, o índice "núcleo" da inflação no nível de atacado subiu na minúscula proporção de 0,1%, correspondendo exatamente à previsão de muitos analistas - o que indica que o comportamneto da maioria dos demais preços foi bom.
Em fevereiro os preços de atacado também aumentaram 1%, o que representou o maior aumento em cerca de 10 anos, enquanto a taxa núcleo subiu na esperada proporção de 0,3%.
O governo divulgará as pressões dos preços no nível de varejo amanhã (14) juntamente com o seu Índice de Preços ao Consumidor. Muitos analistas estimam que o aumento de março será de 0,5%.
A Federal Reserve aumentou as taxas de juros cinco vezes, desde junho, para reduzir a aceleração econômica e prevenir o aumento da inflação.
Em vista da perspectiva de continuidade do forte crescimento, muitos analistas esperam que o Fed eleve as taxas novamente em 16 de maio.
Um segundo relatório indica que as vendas a varejo aumentaram
em março, acima da proporção prevista de 0,4%, porém menos bruscamente do que no mês anterior. Com exclusão da categoria volátil de vendas de automóveis, o total de vendas a varejo realizadas em março apresentou o grande aumneto de 1,4%. E, de acordo com um terceiro relatório, o número de americanos que assinaram novos requerimentos de auxílio-desemprego na semana passada aumentou na proporção de 3.000, atingindo o total de 264.000. Mas, ainda assim, o número de novos requerimentos assinados indica que as companhias estão competindo entre si para contratar trabalhadores qualificados.
Em Wall Street, o mercado de títulos de dívida do governo (government bonds), suscetível à inflação, estava caindo, antes da divulgação dos relatórios, e perdeu mais terreno após a divulgação das eststísticas.
Até esta época do ano, os preços de atacado subiram à taxa anual de 8,2%. Em compração, o aumento registrado durante todo a ano de 1999 foi de 3%. O aumento dos preços de atacado neste ano refletiu, em grande parte, o aumento do custo de energia.
Por sua vez, o acentuado aumento dos preços de energia em março foi um reflexo dos crescentes preços da gasolina, do gás de petróleo liquefeito e do gás natural residencial, e da queda dos preços de óleo para aquecimento doméstico.
Os preços da gasolina subiram na considerável proporção de 14 9%, o maior aumento registrado desde abril. Os preços do gás de petróleo liquefeito, como o propano, tiveram o surpreendente aumento de 28,5%, o maior salto registrado desde outubro de 1990. Os preços do gás natural residencial aumentaram 0,7%.
A limitação da produção do petróleo pelas nações produtoras e o aumento da demanda por causa do inverno foram os fatores que determinaram o aumento dos custos de energia.
Os preços do pétroleo bruto atingiram a marca de US$ 34 por barril no início de março, o último de uma série de pontos altos atingidos em nove anos.
A elevação dos preços do petróleo bruto determinou o aumento recorde de 12 centavos de dólar por galão (3,785 litros) de gasolina no início de março, de acordo com a Pesquisa Lundberg, que abrangeu 10.000 postos de gasolina. O preço médio da gasolina no varejo, em todo o território americano, levando-se em conta todas as gradações e os impostos, era de US$ 1,59 por galão no dia 10 de março - com aumento de 11,99 centavos em relação aos preços de 25 de fevereiro. Mas a decisão tomada pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), no dia 28, de aumentar sua produção em cerca de 1,7 milhões de barris por dia, deve favorecer a redução dos preços, com o tempo.
Um grande número de companhias revelou ter aumentado seus preços no primeiro trimestre do ano, de acordo com uma pesquisa feita entre os principais analistas econômicos. A National Association for Business Economics (Nabe) revelou que, na pesquisa que fez entre 109 de seus associados, 29% relataram ter aumentado seus preços. Por ocasião de uma pesquisa anterior, 20% dos associados entrevistados relataram ter aumentado seus preços. Doze porcento dos entrevistados mais recentemente dclararam ter baixado seus preços, e 59% disseram que sues preços permaneceram estáveis.
"Notamos uma visível mudança altista na fixação dos preços, nos últimos meses," declarou Diana Swonk, presidente da Nabe e principal economista da Bank One Corp.





