São Paulo, 28 (AE) - O custo de vida do paulistano poderá fechar este mês com alta de até 1,1% por causa do aumento inesperado dos preços dos artigos de vestuário, já registrado na terceira prévia de julho. A estimativa anterior da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) para o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) era de aumento de 1%.
Na terceira quadrissemana de julho, o IPC da Fipe aumentou 0,9%, puxado pela alta dos combustíveis e das tarifas. Os aumentos dos preços da gasolina, energia elétrica, do álcool combustível, do gás de botijão, do combustível gasto em viagens e das tarifas de água e esgoto, juntos, responderam por 0,96 ponto porcentual do IPC da terceira quadrissemana.
"Sem os reajustes dos combustíveis e das tarifas, teria havido pequena deflação", diz o coordenador do IPC da Fipe, Heron do Carmo. O economista mantém a previsão de inflação de 6% para o ano e de 0,5% para agosto.
No mês que vem, a pressão mais forte virá dos reajustes das tarifas de energia elétrica e água e esgoto, prevê Heron, que está contando com a queda dos preços dos artigos de vestuário e a subida das cotações dos alimentos por causada entessafra.
"O ciclo de queda dos preços dos alimentos deverá esgotar-se", observa. Ele pondera que os preços dos combustíveis e do gás não vão pressionar o IPC de agosto e vão aliviar o índice em 0,7%. O reajuste das passagens de metrô e de trens também não terá grande impacto no IPC.
Vestuário - A grande novidade na terceira prévia de julho foi o comportamento do preço dos artigos de vestuário, que voltou a subir 1,4%, depois de terem aumentado 0,7% na segunda quadrissemana.
Depois dos transportes, que subiram 4,85% na terceira prévia, por causa do combustíveis, o vestuário foi o grupo que mais aumentou. O calçado de mulher subiu 4,21%; o conjunto de criança, 6,31%, e a malha feminina, 3,36%.
Heron explica que a tendência normal é que o vestuário feche julho perto de zero e agosto em queda. Ainda não há explicação conclusiva para o comportamento atípico registrado na terceira quadrissemana. O economista diz uma das hipóteses é que as vendas de roupas tenham sido maiores que o previsto por causa do frio.
Além disso, Heron observa que esse resultado pode ter sido reflexo da coleta de preços. Com a quebra de grandes redes de varejo, a Fipe está substituindo o universo de lojas pesquisadas.
Depois do vestuário, saúde e habitação ficaram 0,98% mais caros. No caso da habitação, a pressão maior foi dos serviços públicos (3,24%). Nos gastos com saúde, o aumento foi provocado pelo reajuste dos planos de saúde (1,21%) e dos remédios (1,85%). O único grupo de preços que recuou foi a comida, que ficou 0,63% mais em conta.
Juros - Apesar dessa pequena alteração na previsão do IPC para julho, Heron reafirma a avaliação de que as taxas de juros ainda são extremamente altas para o nível atual de inflação. Nas suas contas, para uma inflação de 8%, que é a meta do governo, os juros poderiam recuar para 17% ao ano. "A taxa básica tem de cair e toda a estrutura de compulsórios também."
Greve - Se a greve nacional do caminhoneiros persistir em todo o País, poderão ocorrer problemas de abastecimento para alguns produtos que temporariamente correm o risco de ter preços aumentados, avalia Heron. Mas ele pondera que não haverá impacto na inflação.
Enquanto alguns itens poderão ser reajustados nas lojas, na roça os preços dos produtos agropecuários cairão porque não conseguirão sair das unidades de produção. "A greve mostra que o governo tem de ter cuidado com as suas ações", diz Heron, em referência aos preços dos combustíveis. Ele diz que a greve poderá inibir novos aumentos de grande magnitude que estariam a caminho.

mockup